quarta-feira, 10 de junho de 2026

91. Gershwin: concerto p/ piano |

A resistência ao sorriso é inútil. Não é só música  é audácia que apetece ouvir outra vez (e isso resolve metade dos problemas da história da música).






Aos dias de festa que assinalam o passado e marcam o presente.
Para que possam ser ensinados aos que chegarem amanhã.






Se a Rhapsody in Blue abriu a porta do salão e Um Americano em Paris passeou com elegância pela cidade-luz, então o Concerto para piano, em fá maior (1925) de George Gershwin é, sem dúvida, o momento em que o compositor se senta à mesa principal, não como convidado exótico, mas como anfitrião seguro de si, de colete desapertado e sorriso cúmplice, pronto a servir jazz na sua best china (vulgo porcelana fina, mas que neste caso quer dizer um Steinway & Sons, de cauda larga).
Escrito apenas um ano após o estrondoso sucesso da Rhapsody in Blue, este concerto não nasceria de uma súbita iluminação divina nem de um novo susto jornalístico, mas antes de uma expectativa perfeitamente palpável, encomendada pelo maestro Walter Damrosch: depois de demonstrar ao mundo que sabia misturar o jazz com o verniz da sala de concertos, Gershwin teria agora de provar que o conseguia fazer… sozinho. Sem a “rede de segurança” de Ferde Grofé, desta vez a orquestração seria inteiramente sua, servindo de primeiro verdadeiro teste à sua maturidade como compositor “sério”. E, como quem já conhece o truque - mas ainda finge surpreender-se com ele (a querida IA propõe uma "pequena pausa, mais swing", e eu concordo), George aceitaria o desafio com a leveza de quem improvisa uma anedota num jantar formal… e termina com uma gargalhada geral: “Pronto, pronto... agora é que eu vou mesmo fazer um concerto à séria… só que à minha maneira.” (talvez querendo respeitar a tradição… mas só o suficiente para não ser expulso da mesa dos adultos, a tal da “porcelana fina”).
A estreia teria lugar na matinée da tarde de 3 de Dezembro de 1925, no Carnegie Hall, com a Orquestra Sinfónica de Nova Iorque dirigida por Walter Damrosch e com o próprio Gershwin ao piano (posição que, convenhamos, lhe assentava melhor do que qualquer descrição crítica poderia sugerir). Damrosch, esse mesmo advogado da respeitabilidade musical norte-americana, terá afirmado que Gershwin “não era apenas um compositor popular, mas um compositor sério que falava a linguagem do seu tempo”. Traduzindo do diplomático para o gemba (permitam-me a expressão de um profissional das ciências exactas): o rapaz do Brooklyn tinha passado no exame.
Ao contrário da Rhapsody in Blue (aquela entrada triunfal... ou melhor, aquele tropeção no tapete transformado num número de magia circense, como só os tocados pelo divino conseguem), este concerto seguiria a tradicional estrutura em três andamentos, como que a dizer: “Sim, eu também sei jogar pelas regras. Mas deixem-me temperá-las à maneira do East New York.” E temperou (vulgo, sincopou) mesmo.
O primeiro andamento, Allegro [I], chega-nos com um golpe seco de tímpanos (nada de introduções tímidas, Gershwin, irreverente, entra como quem bate à porta… já dentro de casa). O piano responde com energia quase percussiva, cruzando ritmos sincopados com passagens de um lirismo inesperado, como se dois mundos disputassem educadamente o mesmo espaço. Há aqui ecos evidentes do jazz urbano, mas também uma construção formal sólida, ora musculada, ora emotiva (aquela melodia aos 6:26...), que demonstra disciplina por detrás da espontaneidade. É o Gershwin compositor a mostrar que o Gershwin entertainer não está sozinho.
No segundo andamento, Adagio – Andante con moto [II], a atmosfera muda como uma rua que passa do bulício ao murmúrio. Um solo de trompete com surdina, quase uma canção nocturna (Bebés...), instala um clima íntimo (...ou bebés.), vagamente melancólico, que nos faz recordar aqueles bares onde o fumo desenha espirais lentas e o tempo parece suspenso. A luz baixa, o piano entra com delicadeza, conversando mais do que impondo, e o resultado é uma das páginas mais líricas de Gershwin. Aqui, a tal “joie de vivre” do Allegro (que lembra aquela vivida ao som das buzinas e meio perdido em Paris... mas mantendo sempre o charme) dá lugar a algo mais introspectivo: talvez saudade, talvez contemplação… talvez apenas a consciência de que até o optimismo precisa de respirar. Começamos a pensar na vida sem sabermos bem porquê, mas sem nunca perdermos completamente o sorriso também, e se isso não é de génio, então eu não sei o que será.
Contudo, Gershwin nunca fica sossegado por muito tempo, e o terceiro andamento, Allegro agitato [III], regressa ao terreno da exuberância com uma vitalidade quase contagiante. É dança, é corrida, é celebração, é tudo ao mesmo tempo. Os temas reaparecem, cruzam-se, aceleram, como se Nova Iorque inteira tivesse decidido caber numa orquestra. O piano, longe de ser mero solista, torna-se motor rítmico e protagonista teatral, conduzindo a obra a um final vibrante que não pede desculpa por ser espectacular.
Curiosamente, este concerto marca também um momento de afirmação cultural: ao contrário de muitos compositores europeus que absorviam influências populares para as refinar, Gershwin fazia o caminho inverso: levava o popular diretamente para o palco, sem pedir licença, mas com a elegância suficiente para que ninguém se atrevesse a expulsá-lo.
Recepção? Entusiástica, claro, mas não unânime, até porque nenhuma estreia verdadeiramente relevante o é. Houve, naturalmente, os suspeitos do costume: os que acharam demasiado jazzística para ser clássica, os que acharam demasiado clássica para ser jazz, e os que provavelmente não gostavam de nada antes das 14h (um problema delicioso, diga-se). Mas o público… esse percebeu. E, tal como acontecera um ano antes, saiu da sala com a sensação de ter assistido a algo novo, ainda a ganhar nome.
Hoje, o Concerto em Fá permanece como uma das grandes obras do repertório pianístico americano, não apenas pela sua energia ou pela sua beleza melódica, mas porque captura, talvez melhor do que qualquer outra peça de Gershwin, esse ponto de equilíbrio raro entre espontaneidade e construção, entre rua e palco, entre sorriso e estrutura.
E se voltarmos àquela matinée de 1925, com críticos, maestros e curiosos reunidos numa sala cheia de expectativas… não será difícil adivinhar onde pousa o olhar. Não é apenas no piano. É naquele jovem que parece divertir-se tanto quanto nos diverte.
O olhar aponta, inevitavelmente, para o sorriso.
O de George Gershwin.
 
Nuno Oliveira

                          



"Concerto p/ piano, em fá maior"


Extractos que proponho para audição: (ver também publicação nº 67)
  • Wayne Marshall
  • Aalborg Symphony Orchestra
  • Wayne Marshall
  • Virgin, 5 61478 2
"o belo": obra completa com destaque para os dois primeiros andamentos (Sonoridade
                atmosférica e fresca, pianismo de uma sensibilidade que emociona. Por vezes, não
                me importava que a orquestra mostrasse mais corpo, mas o protagonista britânico
                só pode ter nascido na terra do swing. Difícil encontrar melhor que isto.)
                [1]: trompa e clarinete, aos 3:12-3:20 (Puxadas de trompa e glissandos de clarinete
                numa demonstração do swing sinfónico); cordas e tutti, aos 6:26-7:59 (Toda a banda
                sonora de um sonho fará parte d'"o belo".); piano e tutti, aos 8:47-9:33 (O estupendo
                virtuosismo swingado.) [youtube]
                [2]: solistas, com destaque p/ "o belo" trompete, aos 0:00-3:36 (O ponto alto da obra...
                mesmo sem piano à vista. Música simples e potenciadora de interpretações
                controversas: para bebés ou para fazer bebés? Poucas vezes um rosto singelo terá
                sido tão "o belo".); piano, aos 7:30-9:19 (Poucas notas, mas todas elas mágicas.
                "o belo" também se sente por cá.); piano e tutti, aos 11:07-11:45 (Por mim, a obra
                podia acabar já por aqui.); flauta, aos 12:45-13:28 (O swing não está no seu ADN, mas
                valeu o esforço.) [youtube]
                [3]: piano e tutti (Mais virtuosismo do que sentimento. Há acrobacias e entusiasmo do
                bom. Quem gosta de explosões de ritmo e de alegria vai adorar.) [youtube]














  • Earl Wild
  • Boston Pops Orchestra
  • Arthur Fiedler
  • RCA, 6519-2-RG
"o belo": (O som é de 1961, mas parece vir de outra dimensão. Earl é "Wild". A rapaziada
                dos sixties tinham mesmo swing. Icónico e imperdível.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Howard Shelley
  • Philharmonia Orchestra
  • Yan Pascal Tortelier
  • Chandos, CHAN 9092
"o belo": (Sonoridade luxuriante e dinâmicas marcadas. A percussão está cá e o swing
                também, com vários apontamentos deliciosos. O piano de Shelley chega a viciar...
                e os músicos de Tortelier não lhe ficam atrás. Um must a não perder.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • André Previn
  • London Symphony Orchestra
  • André Previn
  • EMI, 0724356689121
"o belo": (Som acutilante e pianismo irrepreensível, com um trompete limpo, mas um
                pouco mais tímido. Um clássico directamente do Soho londrino que devemos
                encontrar numa boa colecção.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • André Previn
  • Pittsburgh Symphony Orchestra
  • André Previn
  • Philips, 412 611-2 PH
"o belo": (Sonoridade cheia e luminosa pela mão do mestre Previn, uma década
                depois do famoso registo de Londres. Um registo para ter em conta também,
                especialmente se for fã do mestre.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Peter Donohoe
  • City of Birmingham Symphony Orchestra
  • Simon Rattle
  • EMI, CDC 7 54280 2
"o belo": (O som é espacial, mas sente-se um pouco mais abafado e a performance
                orquestral perde alguma exuberância, principalmente nas cordas. O piano de
                Donohoe é excelente e o trompete de Whitehead, nos limites do exagero, é do
                melhor que podemos encontrar. Um registo a descobrir.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Peter Jablonski
  • Royal Philharmonic Orchestra
  • Vladimir Ashkenazy
  • London, 430 542-2 LH
"o belo": (Sonoridade cristalina, com algum do detalhe orquestral menos perceptível
                em algumas ocasiões, compensado pela lição bem estudada do jovem Jablonski.
                Um registo de qualidade e também uma boa escolha.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]





  
   
Outras sugestões:
  • Stefano Bollani/Riccardo Chailly/Gewandhausorchester/Decca, 476 3922 (Sonoridade sumptuosa e pianismo cremoso, mais directo do que faz sonhar. É menos swingado, mas vale pela gulodice sonora.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]




  • Werner Haas/Edo de Waart/Orchestre National de l'Ópera de Monte-Carlo/Philips, 420 492-2 PM (O piano está bem presente, mas o som orquestral é muito mais tímido. Seria um excelente registo se estivessem ao mesmo nível. Assim, é apenas uma boa opção.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]



  • Garrick Ohlsson/Michael Tilson Thomas/San Francisco Symphony/RCA, 09026 68931 2 (Sonoridade mais fechada do que o desejável, pianismo suave e intensidade orquestral a condizer. Falta alguma luz, algum brilho. Talvez os adeptos do lado escuro da força possam apreciar mais.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞





Sorriso e "best china"

George Gershwin [c.1925]





∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞





Sinais que reconhecem um passado...

[Inauguração do monumento da classe de 1993, Departamento de Eng. Mecânica da FCTUC, Polo II, Coimbra, 23-05-2026]



[Classe de 1993 da Licenciatura em Eng. Mecânica da FCTUC, Coimbra, Maio de 1997]




... e que marcam o presente.

[O André com os pais e um amigo, Cortejo da Queima das Fitas, Coimbra, 24-05-2026]



[O André com os avós maternos e o pai, Cortejo da Queima das Fitas, Coimbra, 24-05-2026]



[Os do costume no Tropical da Praça da República, Cortejo da Queima das Fitas, Coimbra, 24-05-2026]

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Lista de compositores/obras por ordem alfabética e ligações para as páginas correspondentes:


Bach (Johann Sebastien): Concertos de Brandeburgo

Barber: Concerto para violino

Bartók: Concerto para Orquestra

Beethoven: Concerto para piano nº 5, "Imperador"

Beethoven: Sinfonia nº 5

Beethoven: Sinfonia nº 6, "Pastorale"

Beethoven: Sinfonia nº 7

Beethoven: Sinfonia nº 9, "Coral"

Berlioz: Harold em Itália

Berlioz: Sinfonia Fantástica

Brahms: Concerto para violino

Brahms: Concerto duplo para violino e violoncelo

Brahms: Sinfonia nº 3

Britten: Quatro interlúdios de Peter Grimes

Britten: Serenata para tenor, trompa e cordas

Bruch: Concerto para violino nº 1

Bruckner: Sinfonia nº 4, "Romântica"

Bruckner: Sinfonia nº 7

Bruckner: Sinfonia nº 8

Bruckner: Sinfonia nº 9

Chopin: Concerto para piano nº 1

Chopin: Concerto para piano nº 2

Copland: Appalachian Spring

Copland: Concerto para clarinete

Debussy: Images

Debussy: La Mer

Debussy: Nocturnes

Debussy: Prélude à l'après-midi d'un faune

Dvorák: Concerto para violoncelo

Dvorák: Danças eslavas

Dvorák: Sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo"

Elgar: Concerto para violoncelo

Elgar: Variações Enigma

Falla: Noites nos jardins de Espanha

Falla: O amor bruxo

Gershwin: Concerto para piano

Gershwin: Rhapsody in Blue

Gershwin: Um Americano em Paris

Grieg: Peer Gynt

Händel: Música Aquática

Händel: Música para os Reais Fogos de Artifício

Händel: O Messias

Haydn: Concerto para violoncelo nº 1

Holst: Os Planetas

Janácek: Sinfonietta

Kodály: Danças de Galánta

Kodály: Háry János

Mahler: A Canção da Terra

Mahler: Sinfonia nº 1

Mahler: Sinfonia nº 2, "Ressurreição"

Mahler: Sinfonia nº 4

Mahler: Sinfonia nº 5

Mendelssohn: Concerto para violino

Mendelssohn: Sinfonia nº 3, "Escocesa"

Mendelssohn: Sinfonia nº 4, "Italiana"

Mendelssohn: Um sonho de uma noite de Verão

Mozart: Concerto para clarinete

Mozart: Concertos para trompa

Mozart: Requiem

Mozart: Sinfonia concertante para violino e viola

Mussorgsky: Quadros de uma exposição

Mussorgsky: Uma noite no Monte Calvo

Orff: Carmina Burana

Prokofiev: Concerto para violino nº 2

Prokofiev: Pedro e o Lobo

Prokofiev: Romeu e Julieta

Prokofiev: Sinfonia nº 1, "Clássica"

Rachmaninov: Concerto para piano nº 2

Rachmaninov: Rapsódia sobre um tema de Paganini

Rachmaninov: Sinfonia nº 2

Ravel: Alborada del gracioso

Ravel: Bolero

Ravel: Daphnis e Chloé

Ravel: La Valse

Ravel: Le Tombeau de Couperin

Ravel: Ma Mère l'Oye

Ravel: Pavane pour une Infante défunte

Ravel: Rapsodia española

Respighi: Festivais Romanos

Respighi: Fontes de Roma

Respighi: Pinheiros de Roma

Rimsky-Korsakov: Scheherazade

Rutter: Requiem

Saint-Saëns: Sinfonia nº 3, "Órgão"

Schubert: Sinfonia nº 8, "Incompleta"

Schumann: Concerto para violoncelo

Schumann: Sinfonia nº 2

Shostakovich: Sinfonia nº 5

Sibelius: Concerto para violino

Sibelius: Sinfonia nº 2

Sibelius: Sinfonia nº 5

Smetana: A minha Pátria

Strauss (Richard): As alegres travessuras de Till Eulenspiegel

Strauss (Richard): Assim falava Zaratustra

Strauss (Richard): Don Juan

Strauss (Richard): Morte e Transfiguração

Strauss (Richard): Quatro últimas canções

Strauss (Richard): Sinfonia Alpina

Strauss (Richard): Uma vida de Herói

Stravinsky: A Sagração da Primavera

Stravinsky: O Pássaro de Fogo

Tchaikovsky: Concerto para piano nº 1

Tchaikovsky: Concerto para violino

Tchaikovsky: O lago dos cisnes

Tchaikovsky: Sinfonia nº 5

Tchaikovsky: Sinfonia nº 6, "Patética"

Vaughan Williams: Fantasia sobre um tema de Thomas Tallis

Vaughan Williams: Sinfonia nº 1, "Uma Sinfonia do Mar"

Vaughan Williams: Sinfonia nº 3, "Pastoral"

Vaughan Williams: Sinfonia nº 5

Vaughan Williams: The Lark Ascending

Verdi: Requiem

Vivaldi: As quatro estações

Wagner: Aberturas e prelúdios

segunda-feira, 19 de maio de 2025

 

90. R. Strauss: Morte e Transfiguração, As alegres travessuras de Till Eulenspiegel |

"Morte e Transfiguração" e "As alegres travessuras de Till Eulenspiegel": duas vidas recitadas há última hora, com poemas de Richard Strauss. 






Agradeço-te Divino, por este meio século de histórias.
Sabes que gosto de brincar... quando o assunto não é sério.
Concede-me que cante outro tanto... se eu ainda gostar de brincar.



(PS1. Ouvi estas obras algumas vezes ao vivo, algumas encheram-me as medidas, outras foram uma desilusão, mas houve uma que me fez realmente vibrar. Foi no dia 21 de Abril de 2018, no CCB, em Lisboa. Aqueles jovens músicos da JOP deram o que tinham e o que não tinham naquele Till. O pai, a mãe e o mais novo estavam na plateia. O mais velho estava no palco. Éramos os quatro ali, naquela estante do violoncelo.)

(PS 2.O bónus veio depois, com aquela troca de palavras com o mestre António Vitorino de Almeida.)





É facilmente compreensível que a aproximação consciente de um ser humano ao meio século de idade seja um motivo de celebração tão bom como qualquer outro, se não mesmo melhor, pelo que não poderia deixar de o assinalar quando chegasse a minha vez. Neste sentido, e como já deverão ter adivinhado, a reflexão procurará ser, desta vez, uma celebração de mim; uma atitude narcisista, por certo, embora de pouca monta, se considerarmos que aguardou noventa artigos para dar sinais de vida.
Decisão tomada, falta agora a música que sugira um pouco daquilo que sou e do que fiz, de onde vim e para onde penso ir. "- Isso já é mais difícil!", dirão vocês, logo após perceberem que o leque à escolha se reduziu bastante com a abstinência das cento e onze obras (uma capicua que vem a propósito, tratando-se de justificar um evento comemorativo) já auscultadas nas páginas que constituem este blog de vida e de música, inspirado, algumas vezes, na vida de um músico, mas sempre sobre as músicas de uma vida.
É certo que ainda havia muito para escolher dum Mahler, dum Beethoven ou dum Brahms, para dizer alguns que sempre me fascinaram, mas a escolha recairia de forma inesperada até para mim, alguém habituado às surpresas dos caminhos por onde a música nos leva, aos pés d"os belos" poemas sinfónicos "Morte e Transfiguração" "As alegres travessuras de Till Eulenspiegel", do genial Richard Strauss (1864-1949).
Embora estas obras acabem ambas com uma morte, as grandes diferenças entre cada um desses fins ajudam-nos a compreender a variedade das fontes de inspiração e a poderosa imaginação do compositor. Enquanto a "Morte e Transfiguração" tenta retratar as horas finais de um homem possuidor dos mais altos ideais (o artista), a natureza dos seus últimos pensamentos, o conflito entre as memórias agradáveis e a crise que estaria a viver naquele momento, e o litígio entre as aspirações não alcançadas e a incerteza para lá da morte, já "As alegres travessuras de Till Eulenspiegel, a partir da história do velho malandro, escrita para grande orquestra em forma de rondó", tentaria ilustrar, tal como o próprio nome completo indica, o espírito livre de um dos maiores tratantes do folclore alemão, Till Eulenspiegel (o gozão), cuja vida levada a pregar partidas até ao cadafalso final, vivido ainda com um pequeno esgar de soslaio, mostrar-se-ia totalmente contrastante com a do herói prostrado no leito de morte, exausto após uma vida de virtuosidade.

 


Richard Strauss viria a compor a sua "Morte e Transfiguração" enquanto jovem*, mais propriamente em 1889, tendo-a dirigido na estreia a 21 de Junho, em Eisenach (já agora, a terra natal de Bach, mestre que recordei quando por lá passei, numa aventura de carro que fiz entre Rucphen, nos Países Baixos, e Weimar, na Alemanha, em 2023). Seria o primeiro poema sinfónico do compositor a apresentar uma descrição programática detalhada, havendo logo quem dissesse que o mesmo nada possuiria de autobiográfico, ou que fosse inspirado na sua vida privada; enquanto outros afirmariam que o autor teria usado a sua experiência com uma doença séria, que teria ultrapassado recentemente, para escrever esta obra; existindo outros, ainda, que se haveriam de lembrar do impacto que a leitura das obras de Schopenhauer teria provocado naquele rapaz de apenas vinte e cinco anos de história, uma tenra idade, diga-se, para andar já preocupado com o destino da sua alma, se bem que o estudo da "metafísica d'o belo" promovido por aquele filósofo alemão (ora digam-me lá se o caminho não é lindo), pudesse ser um tema de interesse para todo aquele que ansiasse criar tamanhas obras-primas, independentemente do tempo de vida que apresentasse.
Como se tornaria habitual no compositor, esta música de criação formal, iria apresentar uma orquestração brilhante, evocada por detalhes programáticos deliciosos para descrever musicalmente os últimos instantes da vida daquele homem que, nas palavras do próprio compositor: "Tinha lutado para atingir os mais elevados objectivos idealistas", e que na hora da morte, relembra os dias inocentes da sua infância, as suas paixões de juventude e o sentimento de insatisfação que o perseguira toda uma vida de tentativas para atingir um ideal impossível de alcançar, para depois se transfigurar com o voo da sua alma rumo ao desconhecido, e realizar, na eternidade, tudo aquilo que não conseguira na sua vida terrena.
A música seria o testemunho daquela hora e o retracto que as palavras do seu amigo Alexander Ritter inscreveriam no poema do prefácio da partitura:

No pequeno e miserável quarto,
fracamente iluminado apenas por um toco de vela,
o doente jaz na sua cama.—
Mesmo assim, ele luta
ferozmente, desesperadamente, contra a morte.
Ele afunda-se agora, exausto, no sono,
e o tique-taque silencioso do relógio
é tudo o que se ouve no quarto,
cujo silêncio terrível
anuncia a aproximação da morte.
Sobre as feições pálidas do doente
brilha um sorriso melancólico.
No final da vida, ele sonha agora
com os tempos áureos da infância?

*****

Mas a morte não concede à sua vítima
sono e sonhos por muito tempo.
Cruelmente, ela sacode-o para o acordar,
e a batalha recomeça.
A vontade de viver e o poder da morte!
Que luta assustadora!—
Nenhum dos dois sai vitorioso,
e, mais uma vez, há silêncio!
Cansado da batalha, afundado,
sem dormir, como em delírio,
o doente vê agora a sua vida,
sucessivamente, cena por cena,
passar diante dos seus olhos.
Primeiro o vermelho matinal da infância,
brilhando intensamente em pura inocência!
Então a brincadeira atrevida da juventude—
exercitando e testando a sua força—
até que ele amadureça para a luta da masculinidade,
que para as maiores conquistas da vida
é agora inflamada com paixão ardente.—
O que antes lhe parecia glorificado
toma agora uma forma mais clara,
este é o único impulso elevado
que o guia pela vida.
Frio e zombeteiro, o mundo coloca
obstáculo após obstáculo contra os seus esforços.
Cada vez que ele acredita estar mais perto do seu objetivo,
um "Pare!" troveja contra ele.
“Trate cada obstáculo como mais um degrau,
subindo cada vez mais alto!”
Então ele avança, então sobe mais alto,
nunca desistindo do seu esforço sagrado.
O que ele sempre buscou
com o anseio mais profundo do seu coração
ele ainda busca nas garras da morte,
ele procura — ai de mim! — mas nunca encontra.
Quer ele o compreenda ainda mais claramente,
quer ele cresça gradualmente nele,
ainda assim ele nunca poderá esgotá-lo,
ele nunca poderá, em seu espírito, ser realizado.
Então o último golpe
do martelo de ferro da morte ressoa,
quebra o corpo terreno em pedaços,
cobre o olhar com a noite da morte.

*****

Mas ressoando poderosamente ao seu redor
da vastidão do céu
aqui está o que ele procurava, ansiando sempre:
Redenção do mundo, transfiguração do mundo!


Os sucessivos temas musicais sugeririam uma personalidade forte, e, ao mesmo tempo, a fragilidade física daquele homem. Seriam às vezes evocativos e românticos, outras ingénuos e mais acolhedores. A doença fá-lo-ia sofrer fortemente, surgiriam ataques e convulsões, mas ele não cede à morte de forma fácil. Depois de mais uma batalha contra a morte ele colapsa novamente, ouvindo-se nesse momento o grande tema da obra, aquele que Strauss atribuiria à criatividade do artista. Surgiria de forma tímida, tornando-se depois mais brilhante, como se quisesse mostrar a visão mais precisa e clara do artista com o aproximar da fatídica hora. O tam-tam lidera o bater irregular do coração que assinala o final inevitável. Ele não pode soar muito forte por isso mesmo.
A alma transfigurada chega a seguir, gloriosa, e com ela a missão hercúlea de a fazer imaginar por todos aqueles que, ansiosamente, a aguardam ouvir (eu próprio já me transfigurei algumas vezes, acreditem).
Seis décadas depois, deitado no seu leito floral de Garmisch-Partenkirchen, já com a idade avançada de oitenta e cinco primaveras, o Super Homem de Alice diria à sua nora momentos antes de fechar os olhos pela última vez: "A morte é justamente como eu a compus na Morte e Transfiguração"*.  
Tique-taque, tique-taque... Tal como a vida é uma roda, também alguns textos o são*.




O poema sinfónico, "As alegres travessuras de Till Eulenspiegel", seria escrito em 1895 e estreado em Colónia, nesse ano, com direcção de Franz Wüllner, mas para conhecermos melhor a obra do compositor Richard Strauss é importante tentarmos saber quem foi o camponês Till Eulenspiegel.
Till Eulenspiegel teria sido um famoso malandro que havia aparecido na Alemanha e na Flandres no séc. XIV, conhecido pelas travessuras direccionadas contra as autoridades com o encobrimento da honestidade dos simplórios, que passariam a obras de ficção por volta de 1515. Esta personagem não seria, todavia, sempre retractada como alguém alegre e irreverente. Mais recentemente, em 1977, seria descoberto um registo das suas aventuras datado de 1510, mais cedo que qualquer outro testemunho conhecido, cujo autor, um escrivão de alfândega chamado Hermann Bote, retrataria Till como um casamenteiro inocente, mas também como uma figura malévola, um símbolo do diabo que teria sido criado como um aviso para os bons cristãos, de um mau exemplo cujo castigo pelas suas malfeitorias providenciaria uma boa lição. Ainda segundo a lenda, após a sua morte em Möller, uma cidade perto de Lübeck (pensa-se que sossegadamente, na sua cama), ter-lhe-ia sido atribuída uma lápide funerária que não teria nenhum nome inscrito, mas apenas a imagem gravada de uma coruja com um espelho, sendo o seu nome "Eulenspiegel", ou seja, "Espelho da coruja", uma alusão ao velho ditado: "Ninguém vê os seus próprios defeitos com mais clareza, do que uma coruja vê a sua própria feiura num espelho", e cujo significado mais objectivo, seria de que a sociedade, ela própria, deveria ver-se ao espelho antes de julgar os outros.
Sem querer conjecturar de forma excessiva, parece-me que o carácter de um Till conhecido em 1895, teria seduzido um Richard, que por aqueles dias também se veria ao espelho e encontraria um jovem perturbador do establishement musical daquela época.
Este poema sinfónico tenta sintetizar a vida deste tratante (o Till, claro), através de uma série de peripécias mais ou menos loucas até à sua morte.
Começa com um primeiro tema, uma introdução suave ao estilo de um "Era uma vez...", passando logo depois ao segundo tema, com a apresentação do nosso Till Eulenspiegel pelo mais famoso solo de trompa da música erudita (eu sei que é controverso... mas pelo imediatismo, dificuldade e experiência de ter assistido várias vezes ao vivo, a brincadeiras que correram mal por tantos músicos de gabarito, penso que é merecido).
E as peripécias surgem a seguir. Ouvimos o nosso travesso a alvoroçar o mercado da cidade, espalhando potes e panelas pelas bancas com a sua corrida de burro. Esconde-se dos seus perseguidores para reaparecer logo a seguir vestido de padre e ridicularizar a multidão que teria reunido, proferindo um sermão blasfemo em forma de gozo. Entretanto escapa com um glissando no violino solo, surgindo a sua veia sedutora enquanto tira a batina (nem sempre é assim, eu sei). Vira-se então para a arte do galanteio, mas sem sucesso. Apaixona-se desesperadamente, mas é rejeitado por aquela que seduz, enfurecendo-se de raiva. A seguir faz perguntas estranhas a um grupo de académicos e começa uma discussão violenta, fugindo mais uma vez. Continua com o mesmo tipo de atitudes e a assobiar tranquilamente uma canção pela rua, alheio ao caos provocado, até que é preso, levado a julgamento, condenado e executado. 
Os dois temas iniciais aparecem sempre que existe uma mudança de situação, interagindo com os outros temas existentes nos vários cenários. O último trilo da flauta dá o mote para o último suspiro, mas o "Era uma vez..." chega uma vez mais, agora sob a forma de epílogo (- Parece que afinal era boa pessoa...), e com ele o tema gozão do Till... a rugir! (- Que diabo de rapaz!).
É curioso como conseguimos encontrar semelhanças deste final, na resposta sobre o acautelamento de um programa para a obra, que o compositor teria dirigido a Franz Wüllner na noite da estreia: "Desta vez, deixe o alegre povo de Colónia adivinhar que tipo de truques musicais um brincalhão lhe está a preparar". 
Parece que o último a rir foi mesmo ele: o Till Strauss.




Epílogo:
Se calhar a minha vida tem sido como um pouco destas duas também.
A viagem tem sido maravilhosa. Que o destino seja sublime. 


Nuno Oliveira




 "Morte e transfiguração, op. 24"
 "As alegres travessuras de Till Eulenspiegel, op. 28"


✨ Extractos que proponho para audição: (MT e ATTE; ver também publicações nº 8, 18, 37 e 58)
  • Dresden State Orchestra
  • Rudolf Kempe
  • EMI, CDC-7 47862
"o belo": toda a obra (O som e a maneira de dizer são daquele tempo, mas o tempo não
                passou por ele. Um registo excitante, inconfundível e incontornável, replecto de
                brilho. Ninguém o fez como Rudolf Kempe.), com alguns destaques, identificados
                a seguir;
                [MT]: tutti, aos 0:00-2:36 (Sons misteriosos e um excelente exemplo do "primeiro
                estranha-se, depois entranha-se".); oboé, flauta, violino, clarinete e harpa, aos 2:37-
                3:43, flauta e cordas, aos 8:27-9:07 ("o belo" tema, como um poema declamado a solo
                ou com pequena companhia.); tutti e trompa, aos 13:55-14:11 ("o belo" complemento
                a tamanha afirmação sonora.); tam-tam e tutti, aos 15:51-22:20 (A Transfiguração é
                quando "o belo" nos eleva do corpo. PS: O corpo de Respighi também deveria estar
                elevado quando musicou os pinheiros da Via Appia romana... 😀) [youtube]
                [ATTE]: trompa, aos 0:15-0:32, 8:57-9:12 e 9:18-9:54 ("o belo" ser que é esta
                lendária trompa canora!); tutti, aos 5:37-6:15 (Um poder crescente, ventos que
                assobiam, ecos das profundezas e "o belo" vozeirão do pai Franz a clamar pelo fim!);
                tutti, aos 7:48-8:05 e 13:22-14:33 ("Brincadeiras" de Kempe.); metais, aos 9:55-10:09
                (Este cortejo não é brincadeira.); flautas, aos 10:18-10:47 (Outro ser canoro icónico...);
                metais e tutti, aos 10:48-11:20 (... e outra amostra do poder do metal.) [youtube]





 
  • Berliner Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 410 892-2 GH e 419 599-2 GH
"o belo": (O tempo é de von Karajan e a interpretação é da exímia orquestra berlinense.
                Tensão no fio da navalha e sonoridade como nenhuma outra, densa, exuberante
                e sensual. Percebe-se bem a razão de ser a escolha preferida de tantos melómanos.
                Um registo icónico e imperdível.)
                [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]






 
  • Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
  • Bernard Haitink
  • Philips, 411 442-2 PH
"o belo": (Interpretação sem pressas, cheia de emoção e sentimento, onde tudo é muito
                bem contado. Som quente e envolvente, com solos de excelência. Um registo
                excepcional e uma fabulosa escolha também.)
                [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]




 
 
  • Staatskapelle Dresden
  • Herbert Blomstedt
  • Denon, CO-73801
"o belo": (Sonoridade atmosférica e opulente da lendária orquestra de Dresden, que
                conhece esta música de cor e arrastou o mestre Blomstedt para uma performance
                de extraordinária qualidade. Confesso que fiquei siderado quando descobri este
                registo. Embora seja pouco falado, é daqueles a não perder.)
                [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]







✰ Outras sugestões: (MT e ATTE)
  • Tadaaki Otaka/BBC Welsh Symphony Orchestra/Nimbus, NI 5235, (O som ouve-se mais distante, mas a interpretação é fresca e luminosa, com detalhe nos vários timbres e brilho nos metais. Excelente ensemble galês.) [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]




  • André Previn/Wiener Philharmoniker/EMI, CZS 7 67570 2, (Sonoridade aberta, menos misteriosa. Os timbres têm cor, mas falta-lhe um pouco de união para ser mais apelativa.) [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]




  • Claudio Abbado/London Symphony Orchestra/Deutsche Grammophon, 429 492-2 GDC, (Interpretação mais terna e suave, sem excessos épicos de tensão. A fragilidade impera aqui.) [MT] [youtube], [ATTE] [youtube]






 Extractos que proponho para audição: (MT ou ATTE)
  • Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
  • Lorin Maazel
  • RCA, 09026 68221 2
"o belo": (O som escuta-se mais escondido, umas vezes mais tímido, outras mais
                extrovertido, mas sempre com a tensão no ouvido. A puxada de trompas aos
                14:30 faria o pai Franz sorrir.)
                [MT] [youtube]






 
  • Chicago Symphony Orchestra
  • Georg Solti
  • Decca, 436 753-2 DX
"o belo": (Um fabuloso exemplo do poder e substância de uma gloriosa CSO em pico de
                forma. Controlo total e sonoridade do outro mundo. Ah, e também temos Solti.)
                [ATTE] [youtube]





 
  • Scottish National Orchestra
  • Neeme Järvi
  • Chandos, CHAN 8572
"o belo": (Sonoridade encorpada e poderosa. Solos de grande qualidade, com
                apontamentos deliciosos do clarinete baixo. Um registo que os adeptos
                dos decibéis irão certamente adorar.)
                [ATTE] [youtube]





 
  • Minnesota Orchestra
  • Edo de Waart
  • Virgin, CUV 5 61266 2
"o belo": (Orquestra de qualidade, com excelentes solistas. Sonoridade clara e
                detalhada, com os vários timbres bastante perceptíveis. A competência do
                mestre de Waart é um bónus a ter em conta. Excelente escolha também.)
                [ATTE] [youtube]




   

   
✰ Outras sugestões: (MT ou ATTE)
  • Rafael Frühbeck de Burgos/Dresdner Philharmonie/Berlin Classics, 0017682BC, (Interpretação competente, ou não fossem os músicos de Dresden, e uma boa escolha para os adeptos do lado mais lento da força. Espectacular tomada de som.) [ATTE] [youtube]




  • Paavo Berglund/Stockholm Philharmonic Orchestra/RCA, RD60173, (Som potente e reverberante gravado ao vivo. Mais uma boa opção para os amantes dos decibéis.) [ATTE] [allmusic]







∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞








Richard Strauss entre a "Morte e Transfiguração" e o "Till Eulenspiegel" [Weimar, 1890]

 



∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
 


 

O olhar tem cinco meses, o espelho cinco décadas.
 
 Com a minha madrinha, no dia do seu casamento [Casa dos meus avós, Oronhe, Águeda, 19-10-1975]



O olhar tem cinco anos, o espelho cinco décadas.

 No meio da natureza da minha aldeia natal [Oronhe, Águeda, c1980]





∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞





Éramos quatro naquela estante.

 A JOP nos "Dias da música em Belém" [CCB, Lisboa, 21-04-2018]



O bónus veio depois.

 Com o mestre António Vitorino de Almeida [CCB, Lisboa, 21-04-2018]

 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------