sábado, 21 de outubro de 2023


83. Berlioz: Harold em Itália |

O "Harold em Itália" de Hector Berlioz, o desapego e a paixão como marcas de um guião.






Para a querida Inês
(...e a sua viola).






Gosto como às vezes certas coisas fazem tanto sentido, como é o caso da narrativa que começa agora. A companhia amena da viola neste Harold em Itália, op. 16, do ícone do romantismo francês (que não me parece nada excessivo) chamado Hector Berlioz (1803-1869), não poderia estar mais próxima à "idée fixe" que rege o registo sereno da vida da nossa Inês. Em ambas, as horas são tranquilas, algumas nuvens mais persistentes começam a dissipar-se nos céus de cada um, existem soluções, o abraço é acolhedor. Os que aproveitam desse tempo são felizes e devem lembrá-lo, para além de agradecê-lo.
A ideia para a criação deste Harold em Itália terá chegado por via do violinista virtuoso italiano Niccolò Paganini. O músico teria adquirido recentemente uma magnífica viola Stradivari e ansiava exibi-la, tendo para isso convidado Berlioz a escrever uma obra do género concertante para este instrumento. Berlioz acederia a esse desejo e começaria a escrever o primeiro andamento da peça, vindo depois a apresentá-lo ao violinista que, contudo, não terá ficado agradado ("...existem demasiadas pausas e eu tenho que estar sempre a tocar...", diria), para surpresa do compositor.
Esta rejeição levaria Berlioz a abandonar a ideia original e a começar a trabalhar numa "Sinfonia em 4 andamentos com solos de viola" (designação com que seria publicada mais tarde), transferindo o virtuosismo desejado por Paganini para, tal como diria o compositor, a: "colocação da viola na neblina das recolhas poéticas deixadas pelas deambulações em Abruzzes e fazê-la disso uma espécie de sonhadora melancólica à maneira do Childe Harold de Byron", destacando-se de imediato as ideias de Itália e do poeta inglês Lord Byron nas suas palavras.
À semelhança de muitos outros românticos, Berlioz viria também ele a responder com paixão ao exemplo de Byron, cuja vida e carácter intensos lhe teriam fascinado tanto quanto a sua obra literária (a misteriosa rebeldia do herói solitário, com a qual Berlioz possivelmente se identificava, levá-lo-ia à morte em 1824, na Guerra da Independência Grega). Berlioz apreciaria particularmente o poema épico "Childe Harold's Pilgrimage", uma obra vasta e uma das suas criações mais famosas, mas que, no entanto, não teria por si só servido de modelo para o seu Harold em Itália (nenhuma das peripécias do poema de Byron estão aliás ilustradas directamente na música), apesar do último dos seus quatro cantos se passar em Itália. Em vez disso, acredita-se que teria sido uma mistura das memórias felizes da sua estadia em Itália entre 1831 e 1832, com essas reminiscências literárias, aquilo que lhe inspiraria à criação desta obra.
Berlioz viria a permanecer alguns meses em Itália após vencer o importante Prémio de Roma em 1831 (prémio instituído pelo governo francês que permitia aos artistas o estudo num ambiente rodeado de tesouros de arte clássica, como a pintura e a escultura), vivendo o seu subconsciente romântico a deambular pelo Forum, a ouvir as serenatas e os instrumentos tradicionais tocados por camponeses e a percorrer velhas estradas. Naquele país, ficaria fascinado com Subiaco e inspirar-se-ia durante o longo caminho entre Nápoles e Roma: "Há muito que queria ir ao Monte Posillipo, a Calabria ou a Capri e colocar-me ao serviço de um chefe de salteadores. Esta é a vida que almejo: vulcões, rochas, amontoados de ricas pilhagens nas cavernas das montanhas, um concerto de gritos acompanhado por uma orquestra de pistolas e carabinas, sangue e Lachryma Christi, uma cama de lava abalada por tremores subterrâneos. Allons donc, voilá la vie!" (com o epíteto de "ícone do romantismo francês" a justificar-se também bem por estas paragens).
Na realidade, seria o próprio Berlioz a escolher o título (memórias felizes...) de cada um dos quatro andamentos do seu Harold em Itália, mas, tal como o herói de Byron (reminiscências literárias...), a viola ficaria com o papel do comentador que observa sossegadamente o desenrolar dos acontecimentos, vagueando pelos cenários italianos como o forasteiro romântico daquele poema, utilizando para isso uma melodia recorrente, denominada de tema de Harold ("idée fixe"), em todos os andamentos. O primeiro andamento, "Harold nas montanhas: cenas de melancolia, felicidade e alegria" [1], introduz-nos o passeio introspectivo até ao cenário selvagem da região de Abruzzes (situada entre Nápoles e Roma), enquanto que o segundo, "Marcha dos peregrinos a cantarem a sua oração ao final da tarde" [2], ilustraria uma procissão escutada ao longe, que depois de passar pelo ouvinte se desvanece novamente no pó da estrada. Surgiria depois o terceiro andamento, "Serenata de um montanhês de Abruzzes à sua amante" [3], que reflectiria não só a diversão do compositor com o som estridente das gaitas dos "pifferari" (com o oboé e o flautim a encarregarem-se disso), os populares tocadores das gaitas de foles tradicionais daquela região, como também a sua admiração pelas habituais serenatas apaixonadas (...pelo corne inglês, neste caso), até que finalmente chegaria o quarto andamento, "Orgia dos salteadores; memórias de cenas anteriores" [4], cuja música vigorosa seria apenas interrompida pela memória distante dos peregrinos e pelo último apontamento do solista antes de submergir no final frenético de fuga ao terror provocado por aquela quadrilha.
Harold em Itália ficaria concluída em 1834, estreando-se no Conservatório de Paris a 23 de Novembro desse ano. Paganini, o virtuoso que nunca interpretaria esta obra, também não estaria entre a plateia dessa noite. Seriam necessários cinco anos para que se desvanecesse, tal como aquela procissão, algum eventual desconforto, pelo que o violinista apenas a viria a ouvir em 1839. Niccolò teria certamente concordado com a opinião do seu amigo Hector, tratava-se realmente "mais de uma sinfonia do que de um concerto" e até as recordações recolhidas no último andamento faziam lembrar o estilo da maravilhosa 9ª do Ludwig van. O atormentado virtuoso do violino já não conseguiria resistir mais. A proclamação de Berlioz como o verdadeiro herdeiro de Beethoven foi o que melhor lhe ocorreu fazer.
Obrigado, Inês! é o que melhor que me ocorre fazer a mim.

 
Nuno Oliveira

                          



"Harold em Itália, sinfonia em 4 andamentos com solos de viola, op. 16"


✨ Extractos que proponho para audição:
  • Gérard Caussé
  • Orchestre Révolutionnaire et Romantique
  • John Eliot Gardiner
  • Philips, 446 676-2 PY
✿"o belo": obra completa, com alguns destaques identificados em baixo (A performance
                com instrumentos de época de referência. Som intenso e misterioso, com
                pianíssimos deslumbrantes e o timbre suave da viola de Gérard Caussé a 
                demonstrar o vasto conhecimento da obra. Um registo fabuloso e imperdível.)
                [1]: tutti, aos 0:00-1:10 ("o belo" mistério em instrumentos de época.); viola,
                aos 7:54 e 9:05 (Danças de viola.); tutti e metais, aos 13:45-14:05 e
                14:37-14:53 (Encomenda de cutelaria sonora.) [youtube]
                [2]: viola, aos 3:45-5:28 (A viola sobrenatural de Gérard Caussé.) [youtube]
                [3]: corne inglês, aos 0:39-1:08 (Pastoral italiana.) [youtube]
                [4]: tutti e trombone, aos 0:16-0:48 (Assuntos das profundezas.); tutti, aos
                10:13-10:40 (Música de câmara ao longe.); tutti, aos 3:11-5:27, 6:18-8:37,
                9:22-10:02 e 10:51-12:12 (Urgência e excitação com múltiplos brilhos.) [youtube]






  • Donald McInnes
  • Orchestre National de France
  • Leonard Bernstein
  • EMI, CDM 7 64745 2
✿"o belo": (Interpretação excitante, onde se sente a autenticidade dos intérpretes franceses.
                Dinâmicas contrastantes de Bernstein e sonoridade intimista da viola de McInnes.
                Um registo famoso gravado na mítica Salle Wagram, em Paris, a não perder.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube]






  • Pinchas Zukerman
  • Orchestre Symphonique de Montréal
  • Charles Dutoit
  • Decca, 421 193-2 DH
✿"o belo": (Um registo majestoso, onde se destacam a sensibilidade e a expressividade da
                viola de Zukerman. A música é sentida de forma quente. A vida é vivida sem pressa.
                Excelente escolha também.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube]






  • Joseph de Pasquale
  • Philadelphia Orchestra
  • Eugene Ormandy
  • Sony, SBK 53255
✿"o belo": (Um clássico dos anos 60 gravado em Filadélfia. Destaque para a interpretação
                orquestral acutilante e para a sonoridade delicada do solista. Aqui existe drama e
                introspecção. Uma boa opção.)
                [1] [spotify], [2] [spotify], [3] [spotify], [4] [spotify], [1-4] [iTunes]





  
   
✰ Outras sugestões:
  • Gérard Caussé/Michel Plasson/Orchestre du Capitole de Toulouse/EMI, CDC 7 54237 2 (Uma interpretação diferente, mais nervosa que lírica. A velocidade é elevada, o discurso é directo e a viola de Caussé esconde a fragilidade e mostra agora a bravura que se lhe exige. Um registo a descobrir.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube]




  • Wolfram Christ/Lorin Maazel/Berliner Philharmoniker/Deutsche Grammophon, 415 109-2 GH (Performance gravada ao vivo mas que, ao contrário do que poderíamos prever, privilegia a tranquilidade à tensão.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube]






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Hector Berlioz [Roma, 1832]





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Inês e a viola





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Inês nos Países Baixos

[Rucphen, Países Baixos, 28-09-2023]




[Roterdão, Países Baixos, 28-09-2023]



[Roterdão, Países Baixos, 28-09-2023]



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sexta-feira, 11 de agosto de 2023


82. Mendelssohn: sinfonia nº 3, "Escocesa" |


A sinfonia nº 3 de Felix Mendelssohn e a visão romântica do passado da Escócia, presente na natureza de um bardo alemão.






Para a Susana e a Vânia.
Entre a fogosidade latina e a candura escandinava fica a beleza escocesa.






Se a época é de férias, então o momento é de retorno à "música de viagem" do genial Felix Mendelssohn (1809-1847). Depois da Sinfonia nº 4, "Italiana" (publicação nº 70), é com entusiasmo que agora proponho a sua Sinfonia nº 3, "Escocesa", porventura a sinfonia mais famosa das cinco que compôs ao longo da sua curta (mas cheia!) vida. É possível que alguns melómanos deste compositor possam talvez discordar (o assunto é controverso, não fosse o gosto discutível), mas para mim, a "Escocesa" é, das suas sinfonias, aquela que mais me ajuda a romper a neblina da vida ao encontro da luz de melhores dias, ou utilizando as palavras clarividentes de Francisco, o Papa Jesuíta, partilhadas há poucos dias em Lisboa, aquela que mais facilmente me incentiva a "trocar o medo pelo sonho" (uma mensagem poderosa, tal como o são, individualmente, a realidade do medo e o impacto do sonho).  
Pouco tempo depois de completar vinte anos de idade, Mendelssohn viria a iniciar uma séria de viagens pela europa que lhe ocupariam os cinco anos seguintes e lhe proporcionaria uma considerável fonte de inspiração. Começa por visitar Londres na primavera de 1829, uma cidade que apreciava o compositor como nenhuma outra no mundo, realizando ali alguns concertos e seguindo no final de Julho para umas férias na Escócia, acompanhado por Karl Klingermann, um amigo de Berlim que estava destacado em Londres como secretário da delegação de Hannover.
Apesar do seu aparente desinteresse pelas gaitas de foles tradicionais e pela própria música popular escocesa, o mistério e a beleza natural do país, assim como as consideráveis associações românticas da sua história, tornar-se-iam as sementes para o nascimento da sua "Sinfonia Escocesa", sendo também importante referir que o talento para a escrita de viagem reflectido nas suas cartas, proporcionar-nos-ia uma boa imagem do percurso que faria por Glasgow, Edimburgo, Perth, Inverness, Loch Lomond, Iona, Mull e Staffa, para além do desvio que igualmente teria feito até Abbotsford para visitar o escritor Sir Walter Scott.  
As primeiras ideias para esta sinfonia surgir-lhe-iam em Edimburgo, mais propriamente na visita que faria de forma ansiosa às ruínas da capela de Holyrood House, o local onde a trágica rainha Mary Stuart "teria vivido e amado", onde teria sido coroada e onde Davide Rizzio, o seu secretário particular, havido sido assassinado. No dia 30 de Agosto transmitiria os seus sentimentos numa carta para casa: "Ervas e heras crescem no altar quebrado onde Mary foi coroada rainha da Escócia. Tudo à volta está partido e a desfazer-se em pó, e a luz do céu brilha lá dentro. Acredito que hoje encontrei naquela velha capela o início da minha Sinfonia Escocesa". Paisagens naturais, personagens históricas, as suas intrigas, conflitos e feitos de guerra, teriam sido estas impressões aquelas que Mendelssohn supostamente absorveria para criar o ambiente elegíaco do início da obra, bem como a cena de tempestade no final do primeiro andamento e o quarto andamento, um Allegro guerriero a fazer lembrar uma espécie de "canção de agradecimento após a vitória em batalha".
No entanto, a escrita desta "Sinfonia Escocesa" viria a progredir lentamente. As suas cartas haveriam de a mencionar algumas vezes em 1830, durante a famosa viagem que faria a Itália (uma experiência que lhe inspiraria a escrita da sua Sinfonia nº 4, "Italiana"), comentários que fariam suspeitar alguma influência dos céus azuis mediterrânicos no despreendimento para o que estaria inicialmente projectado. Em março de 1831 escreveria numa carta à família: "Quem iria imaginar que eu acharia impossível retornar à minha disposição das neblinas escocesas? Foi por isso que pus de lado a sinfonia por agora". Na realidade, seria necessário cerca de uma década para que o compositor deixasse em lume brando certas formas que teria em mãos (italianas ou outras, talvez escocesas) e retornasse aos conteúdos (escoceses ou outros, eventualmente italianos) desta sinfonia. O trabalho de composição recomeçaria em 1841 e a obra ficaria acabada no Inverno de 1842. Seria depois estreada em casa, na Gewandhaus de Leipzig, no dia 3 de Março de 1842, como a sua terceira sinfonia; uma numeração à partida um pouco confusa, visto que a sua quarta ("Italiana") já teria sido previamente estreada em 1833 (...num bom exemplo de formas iluminadas pelo calor latino a ultrapassar cronologicamente conteúdos superiormente interessantes encontrados mais a norte, comum em qualquer jovem na casa dos 20 anos, fosse ele um génio alemão ou não... como, aliás, tenho vindo a observar de forma caseira, nestes dias ao sol algarvio).
Depois da estreia, o compositor viria ainda a realizar algumas alterações antes de a levar para Londres, naquela que seria a sua décima sétima viagem àquele país. A Rainha Victoria e o Príncipe Albert eram conhecidos admiradores da sua música, sendo também intérpretes competentes das suas canções e da sua música de câmara (um legado cultural que se fosse mantido pelos dignatários das mais importantes casas mundiais, reais ou plebeias com responsabilidades reais, talvez pudesse evitar alguma da barbárie cultural televisiva dos festivais de verão), pelo que não seria de estranhar que esta admiração se transformasse em amizade e esta se demonstrasse sob forma de dedicatória da obra à monarca inglesa. A forma e conteúdo finais da sinfonia seriam finalmente apreciados pela primeira vez na Philharmonic Society, no dia 13 de Junho de 1843. A direcção terá sido a do próprio Mendelssohn, para gáudio dos seus fans e amigos britânicos. 
O compositor não revelaria qualquer programa específico para a sinfonia, mas, no entanto, destacaria a seguinte instrução na partitura: "Os andamentos individuais desta sinfonia devem surgir uns atrás dos outros, sem serem separados entre si pela pausa longa habitual. O conteúdo individual dos andamentos pode ser dado ao ouvinte no programa de concerto, do seguinte modo: Introdução e Allegro agitato [1] - Scherzo assai vivace [2] - Adagio cantabile [3] - Allegro guerriero e Finale maestoso [4]". Desta forma, ficaria mais clara a pretensão do compositor em criar uma música que ilustrasse os ambientes que estimulassem a imaginação do público, em vez de o orientar com uma narrativa pré-concebida. A orquestração rica e simultaneamente viril dos seus primeiro e quarto andamentos faria imaginar em alguns ouvintes a atmosfera dos romances históricos de Sir Walter Scott, um escritor que Mendelssohn teria conhecido pessoalmente naquele desvio a Abbotsford. As sensações de grandeza e decadência sugeridas pelas ruínas de Holyrood mostrar-se-iam logo aos primeiros compassos da Introdução da obra, sentindo-se, mais tarde, a energia militar do Allegro guerriero a movimentar-se para o clímax final que encerraria a sinfonia. O segundo andamento introduziria ritmos e melodias em forma de dança ao gosto escocês, seguindo-se depois uma espécie de recitativo a abrir "o belo" andamento lento, reforçando a ideia de um ambiente proposto pelo compositor ao qual cada ouvinte responderia à sua maneira... após a correspondente meditação individual. Se houver curiosidade, a minha pode ser encontrada em baixo, na visão de Claudio Abbado do canto de um bardo alemão, um Felix património da humanidade. 


Nuno Oliveira




"Sinfonia nº 3, em lá menor, op. 56, "Escocesa""


✨ Extractos que proponho para audição: (ver também publicações nº 48, 50 e 70)
  • London Symphony Orchestra
  • Claudio Abbado
  • Deutsche Grammophon, 415 973-2 GH
✿"o belo": toda a obra, principalmente o primeiro e terceiro andamentos (Sonoridade
                sumptuosa, majestosidade e expressividade nas raias do divino. A visão
                inspirada do mestre Abbado e dos músicos londrinos que a torna num poema
                de leitura obrigatória. Registo superlativo. Referência absoluta.)
                    [I]: tutti, aos 0:00-3:45 (Da suave maresia da costa escocesa...) e 3:46-14:29
                (...aos ventos fortes das terras altas que nos embalam "o belo" violoncelo
                (11:56-13:00).); tutti, aos 14:30-16:00 (Das tempestades na terra e no mar...)
                e 16:01-16:53 (...ao surgimento d"o belo" céu limpo.) [youtube]
                [II]: clarinete, oboé e tutti (Brincadeiras na natureza.) [youtube]
                [III]: tutti, violoncelos aos 5:36-7:12 e madeiras aos 10:30-10:50 ("o belo"
                 poema, águas profundas onde Schumann se banhou, ar penetrante que Mahler
                inspirou.) [youtube]
                [IV]: tutti, aos 7:28-8:42 (Música para a glorificação de um país...); trompas,
                aos 8:43-9:12 (...e apoteose final!) [youtube]






  • Israel Philharmonic Orchestra
  • Leonard Bernstein
  • Deutsche Grammophon, 439 980-2 GGA
✿"o belo": (Carga emocional e intensidade forte gravadas ao vivo na cidade alemã de
                 Munique em 1979. Um registo sublime como um gesto de reconciliação pode
                 ser. A referência para muitos melómanos. Icónico e imperdível.)
                 [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • The Chamber Orchestra of Europe
  • Nikolaus Harnoncourt
  • Teldec, 9031-72308-2
✿"o belo": (Uma interpretação entre o vigor e a ferocidade, com dinâmicas bem
                 marcadas e a sonoridade penetrante dos metais, com destaque para o
                 vibrante final. A sensibilidade do mestre Harnoncourt e a intuição da
                 magnífica COE num registo poderoso e exuberante a não perder.)
                 [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Gewandhausorchester Leipzig
  • Kurt Masur
  • Teldec, 0630-18954-22
✿"o belo": (Sonoridade cintilante e interpretação sofisticada como só a orquestra de
                Leipzig e o mestre alemão poderiam proporcionar. O perfume de Mendelssohn
                ainda se sente na Gewandhaus, a música é emocionante, o registo é memorável.
                Uma escolha com pedigree a não perder também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Heidelberger Sinfoniker
  • Thomas Fey
  • Hänssler, CD 98.552
✿"o belo": (Interpretação viva e espontânea em instrumentos de época, conferindo-lhe um
                brilho e nitidez extra, mas mantendo ao mesmo tempo o aconchego sonoro com as
                suas texturas e cores características (magnífico aos 10:20-11:03 do início da obra).
                Um registo surpreendente por tão bom que é.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube][youtube]






  • San Francisco Symphony
  • Herbert Blomstedt
  • London, 433-811-2 LH
✿"o belo": (Performance fresca e natural, com destaque para o vibrato límpido e a
                 jovialidade interpretativa do mestre Blomstedt. A energia que emana da
                orquestra norte americana sente-se no ar. Magnífica escolha.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Bamberger Symphoniker
  • Claus Peter Flor
  • RCA, 09026-60893-2
✿"o belo": (Sonoridade cristalina e visão detalhada, com o fagote a ser um bom
                exemplo disso logo aos 5:07 da obra. Interpretação excitante e apelativa
                ao estilo do mestre Flor. Uma excelente opção a ter em conta também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • London Classical Players
  • Roger Norrington
  • EMI, CDC 7 54000 2
✿"o belo": (Performance brilhante, com a luminosidade sonora dos instrumentos
                de época em destaque. A visão directa do mestre Norrington e a pureza
                interpretativa dos músicos ingleses são notórias. Uma escolha de qualidade e
                um registo de eleição para os adeptos das cordas de tripa e metais cortantes.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Academy of St. Martin-in-the-Fields
  • Neville Marriner
  • Argo, 411 931-2 ZH
✿"o belo": (Som fresco e interpretação de um romantismo mais delicado. Cordas bem
                marcadas, madeiras e metais de qualidade. O mestre Marriner é sensível aos
                detalhes da obra. Boa opção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






   
✰ Outras sugestões:
  • Jaime Laredo/Scottish Chamber Orchestra/Nimbus, NI 1765-5525 (Uma proposta por nativos escoceses interessante de conhecer.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Roger Norrington/Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR/Hänssler, CD 93.133 (Interpretação de época, ausente de vibrato o que lhe acrescenta clareza e articulação, mas retira algum calor sonoro. Uma boa opção.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube][youtube]






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Felix Mendelssohn [Inglaterra, 1829]





Vista do Lago Awe [gravura de Felix Mendelssohn, 09-08-1829]



Vista do Vale de Trossachs [gravura de Felix Mendelssohn, 13-08-1829]




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Entre a fogosidade latina e a candura escandinava

As primas Susana (dir.) e Vânia (esq.) [Casamento da Rita e do Xavier, Águeda, 08-10-2022]


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quarta-feira, 12 de julho de 2023


81. Beethoven: concerto p/ piano nº 5, "Imperador" |

Herr Beethoven e a escrita de fusão do seu concerto-sinfónico para piano, o nº 5. Um nobre passo na história da música, um salto soberano na história do homem.






Para a outra face da moeda que governa este reino, a imperatriz que hoje está de parabéns.
Do teu súbdito. Do teu imperador.
Que o teu coração se reveja num Adagio um poco mosso outros 50.






Como poderão compreender, a escolha do concerto para piano nº 5, "Imperador", de Ludwig van Beethoven (1770-1827), para assinalar este dia de celebração, não é inocente. Se o atingir meio século de vida tem algo de místico, então o número 5 teria de aparecer. Se se tratasse da solista da nossa vida, então teria de ser um concerto. Se falássemos de quem lidera os nossos sonhos desde o primeiro olhar, então um epíteto supremo faria sentido. Tudo isto existe, tudo isto é fixe, tudo isto me faz sentir amado, por isso...
...seria com esta obra de viragem do século que Beethoven embarcaria ao encontro de uma nova direcção, de um sentido de tal forma atraente como só as extraordinárias experiências vividas até aí fariam apontar. Em Abril de 1787, com dezasseis anos, viajaria da sua Bona natal para Viena onde seria apresentado a Mozart que, como era prática comum nessa época, lhe haveria de dar um tema para que Ludwig pudesse improvisar e desta forma demonstrar a sua capacidade imaginativa como compositor e também a sua habilidade como instrumentista. O singular desta bela ocasião seria aquilo que Mozart, considerado bastante crítico das capacidades dos seus colegas de profissão, afirmaria de forma exaltada depois de ter ouvido o jovem Beethoven: "Estejam atentos a ele porque ele terá alguma coisa para vos dizer". E realmente disse. Palavras que ecoam até hoje. Frases que ainda agora se escutam.
1792 seria o ano em que Beethoven deixaria Bona para se radicar definitivamente em Viena, criando um burburinho imediato com o seu virtuosismo e dotes de improvisador ao piano, instrumento que muitos considerariam como a própria extensão do seu corpo de compositor, com as suas teclas a servirem de laboratório para a descoberta de novas sonoridades e para a experimentação de novas formas de música. As teclas daqueles pianofortes eram inúmeras, umas mais claras, outras mais escuras, tal como a música nova que o viria a imortalizar, com o heroísmo e o dramatismo a caminharem lado a lado, de mãos dadas, numa união amorosa que faria nascer o Romantismo.
O ideal romântico começaria assim a germinar com o idioma revolucionário do seu concerto para piano nº 5, que ao contrário do concerto virtuoso tradicional do séc. XIX, haveria de promover a igualdade entre o solista e a orquestra. Não mais a orquestra iria ficar parada à escuta do solista e não mais o solista teria de desenvolver os temas propostos pela orquestra. O matrimónio entre os dois protagonistas seria quase real, com o pianista a quebrar imediatamente as regras da tradição com o ousado ressoar dos acordes que anunciam o começo da obra, num acto de emancipação que ultrapassaria por completo o conceito de concerto clássico e constituiria a fundação para os concertos românticos que os futuros compositores viriam a escrever um dia.
Beethoven começaria a compor este concerto em 1809, numa época em que Viena se encontrava cercada pelo exército napoleónico, facto que seguramente ditaria a presença de algumas características marciais na atmosfera musical da obra. Como qualquer outro cidadão vienense daquela altura, a vida do compositor também não seria fácil, existindo várias referências sobre as experiências traumáticas que teria vivido (chegaria inclusive a abrigar-se de bombardeamentos numa cave por diversas ocasiões, cobrindo a cabeça com almofadas para tentar minimizar o terrível mal-estar que isso lhe provocava). O seu estado de espírito ficaria registado numa carta que enviaria para Leipzig ao seu editor Gottfried Christoph Härtel, a 26 de Julho de 1909: "O curso dos eventos afectou-me o corpo e a mente, e a vida à minha volta é selvática e perturbadora. Não existe nada mais do que tambores, canhões, soldados e todo o tipo de miséria humana.". Assim, é natural que estas vivências fizessem explodir em Beethoven uma raiva contra Napoleão, havendo mesmo quem conte que durante a ocupação de Viena o teria visto certa vez num café a gritar, enquanto agitava os punhos contra um oficial francês: "Se eu fosse um general e soubesse tanto de estratégia como sei de contraponto, dava-lhe algo em que pensar!". Todavia, e apesar da perigosa mistura de febre de guerra com a bravura romântica que porventura lhe assolava o espírito, aparentemente, não lhe terá chegado a "dar".
O cognome de "Imperador" teria sido colocado, não por Beethoven ou pelo seu editor, mas por intermédio de um baptismo popular no seguimento de um acontecimento caricato ocorrido na Viena ocupada. Pelo que se conta, no dia da estreia em Viena, a 12 de Dezembro de 1812, um soldado francês que se encontrava no público, inspirado pela majestosidade da obra, terá aparentemente exclamado: "C'est l'Empereur!". A ser verdade, seguramente que esta passagem não terá agradado a um compositor que já em 1804 havia cortado de forma furiosa a dedicatória a Napoleão da partitura da sua terceira sinfonia (que passaria a chamar-se "Eroica"), logo que soube que o suposto "homem do povo" se havia autoproclamado Imperador de França.
Rejeitada por Viena, esta obra seria estreada na Gewandhaus de Leipzig por Johann Schneider (um antigo aluno do compositor; suspeita-se que Beethoven já apresentaria um grau de surdez que o impossibilitaria de tocar o concerto) e o maestro Johann Philipp Christian Schulz, no dia 28 de Novembro de 1811 . Os relatos daquela época confirmam que este concerto teria sido recebido pelo público de forma entusiástica, tendo o jornal Allgemeine Musikalische Zeitung escrito a 1 de Janeiro de 1812 : "Sem dúvida um dos mais originais, imaginativos, afectuosos, mas também muito difíceis de entre todos os concertos existentes.". Apesar do bom acolhimento em Leipzig, a recepção em Viena no ano seguinte seria menos calorosa (por trás disso poderão ter estado eventuais resquícios da rejeição original ou porventura algum ciúme da congénere alemã que finalmente acabara com a pureza da obra) e o concerto só viria a ter o reconhecimento merecido com a promoção feita por Liszt alguns anos depois, o que só terá ficado bem ao maior virtuoso do piano de todos os tempos (que, como é sabido, também gostava de tirar o pó a certas obras de arte do género feminino). 
É curioso como Beethoven volta a escolher a tonalidade radiante de mi bemol maior da sua sinfonia "Eroica" para este concerto, como que a sugerir-nos uma espécie de alternativa em forma de música à triste realidade da guerra e a sua vontade de acabar com ela. O piano interagiria com os argumentos musicais propostos pela orquestra de forma próxima e o improviso pianístico também não seria deixado ao acaso. Nesse sentido, a tradicional cadenza do primeiro andamento [1] daria lugar a uma passagem rapsódica com acompanhamento orquestral, conduzindo o andamento a um estimulante clímax final, definindo assim o modelo do concerto sinfónico que Schumann e Brahms haveriam de seguir mais tarde. Já "o belo" Adagio um pouco mosso do segundo andamento [2] mostrar-se-ia tão introspectivo quanto o Allegro do primeiro se havia mostrado afirmativo, numa espécie de hino às necessidades românticas do homem, com o compositor a proporcionar ao ser humano que se sentasse ao piano a máxima profundidade interpretativa a que pudesse chegar (que Kovacevich tornaria superlativa num mês 5 do ano em que caminharíamos na lua pela primeira vez e os engenheiros da Philips guardariam para a eternidade a partir do Walthamstow Assembly Hall de Londres; parece exagero mas não é, como poderão constatar em baixo.). O terceiro andamento [3] chegaria por fim, marcado pelo retorno da grandiosidade presente no início da obra, com um Rondo-Allegro triunfante a surgir de surpresa entre a neblina melancólica do mágico segundo andamento. Quis o divino que fosse assim, com um Romantismo fervoroso, que se acabasse uma obra da história da música e começasse uma época da história do homem.

 
Nuno Oliveira

                          



"Concerto p/ piano nº 5, em mi bemol maior, op. 73, Imperador"


✨ Extractos que proponho para audição: (ver também publicações nº 3, 45, 62 e 75)
  • Stephen Bishop-Kovacevich
  • London Symphony Orchestra
  • Colin Davis
  • Philips, 422 165-2 PS ou 422 482-2 PCC
✿"o belo": obra completa com destaque para o Adagio un poco mosso central (O registo
                de referência desta obra. Sonoridade incandescente e expressividade a tender
                para o infinito. Colin Davis e LSO com nota vinte, Kovacevich com nota vinte...
                e um. Inigualável. Inultrapassável. Icónico.)
                [1]: piano e tutti (Sol orquestral e um raio pianístico de luz imensa. Em Beethoven,
                a grandiosidade concerto-pianística é assim: astral.) [youtube]
                [2]: tutti, piano aos 1:44-... ("o belo" Adagio da mais pura e profunda melancolia.
                Imaginem gotas de chuva a beijar a única face alguma vez amada... Agora
                molhem-se também.) [youtube]
                [3]: piano e tutti (O "tempo" é de alegria e a dança está no ar, no chão e em toda
                a actividade atómica intermédia.) [youtube]







  • Murray Perahia
  • The Concertgebouw Orchestra
  • Bernard Haitink
  • CBS, MK 42330
✿"o belo": (Uma interpretação mágica, repleta de fulgor e de sensibilidade poética que
                nos toca o coração. A referência para muitos melómanos. O divino mora aqui.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Claudio Arrau
  • Staatskapelle Dresden
  • Colin Davis
  • Philips, 416 215-2 PH
✿"o belo": (A liberdade do eu e do outro em perfeita sintonia, numa gravação de reflexão
                e nobreza a partir do cume dos 81 anos. Maravilhosa e incontornável.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Evgeny Kissin
  • Philharmonia Orchestra
  • James Levine
  • Sony, SK 62926
✿"o belo": (Fluidez orquestral. Sonoridade penetrante. Testemunhemos a impetuosidade
                técnica, eloquência e poesia cintilante do jovem Evgeny. Kissin trata o piano
                por tu e o resultado é sublime.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • András Schiff
  • Staatskapelle Dresden
  • Bernard Haitink
  • Teldec, 3984-26800-2
✿"o belo": (Registo luminoso, rico em sumptuosidade orquestral e brilhantismo solístico.
                Uma visão com alma e lirismo profundo. Tratando-se de Schiff e Haitink, o
                contrário é que não poderia ser.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Vladimir Ashkenazy
  • Wiener Philharmoniker
  • Zubin Mehta
  • Decca, 411 903-2 DH
✿"o belo": (Sonoridade cristalina da Sofiensaal, cordas vienenses que nos fazem estremecer
                e um pianista que também sabe fazer a dança da chuva. Excelente escolha.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Alfred Brendel
  • Chicago Symphony Orchestra
  • James Levine
  • Philips, 412 789-2 PH
✿"o belo": (Registado ao vivo em Chicago, com uma sonoridade envolvente e o toque
                inconfundível de Brendel. A tensão sente-se e o público está feliz. Bravo!)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Christian Zacharias
  • Staatskapelle Dresden
  • Hans Vonk
  • EMI, CDC 5 55314 2
✿"o belo": (Som luxuriante e interpretação límpida e excitante, daquelas que vicia.
                Uma magnífica opção também.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Melvyn Tan
  • The London Classical Players
  • Roger Norrington
  • EMI, CDC 7 49965 2
✿"o belo": (Virtuosismo electrizante do pianoforte de Tan e acompanhamento
                estimulante dos músicos londrinos. A tempestade e a bonança lado a lado
                e à disposição daqueles que se interessarem por instrumentos de época.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Vladimir Ashkenazy
  • Chicago Symphony Orchestra
  • Georg Solti
  • Decca, 417 703-2 DM
✿"o belo": (O resultado do extrovertido Solti com o intimista Ashkenazy que nos dá uma
                harmonização auditiva gourmet. A captação de som merece uma estrela Michelin.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]





  
   
✰ Outras sugestões:
  • Hélène Grimaud/Staatskapelle Dresden/Vladimir Jurowski/Deutsche Grammophon, 00289 477 7149 GH2 (Acústica ressonante, som acutilante e interpretação fresca e vincada. Um registo de qualidade a ter em conta.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]




  • Maurizio Pollini/Claudio Abbado/Berliner Philharmoniker/Deutsche Grammophon, 445 851-2 GH (Registo poderoso gravado ao vivo. A majestosidade está lá, mas a tensão sente-se mais longe. Uma boa escolha.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]




  • Robert Levin/John Eliot Gardiner/Orchestre Révolutionnaire et Romantique/Deutsche Grammophon, 447 771-2 AH (Uma interpretação com instrumentos de época onde se destaca o som peculiar do pianoforte de Levin. Uma performance diferente que interessa descobrir.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






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Ludwig van Beethoven [1813]




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Adagio...

[Cabanas de Viriato, 15-04-2023]



... e uns poucos moços.

[Algarve, Agosto de 2010]


[Algarve, Agosto de 2021]

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