sexta-feira, 21 de maio de 2021


54. Brahms: concerto duplo p/ violino e violoncelo |

O tónico reparador de amizades variadas num "Concerto duplo para violino e violoncelo", por Johannes Brahms. Servir fresco e junto à margem... da consciência de cada um.  






À memória do Músico Paulo Gaio Lima,

e a um olhar de que não se esquece...
(...durante umas Variações Rococó de Tchaikovsky, em Coimbra, num TAGV dos anos 90).  






A melhor adjectivação que porventura poderíamos atribuir ao Concerto Duplo para Violino e Violoncelo, op. 102, de Johannes Brahms (1833-1897), seria aquela que Clara Schumann, alguém que conheceria o compositor como (mais...) ninguém, viria a utilizar por aquela altura: "uma obra de reconciliação".
Esta história de reconciliação começaria em 1853, ano em que Johannes conheceria duas das pessoas que mais profundamente o viriam a influenciar: o compositor Robert Schumann, marido de Clara, e o violinista Joseph Joachim, com quem manteria uma estreita amizade durante mais de meio século. Ora, a excepção que confirmou a regra dessa grande amizade, viria a passar-se em 1884, numa época em que Brahms, descontente com o comportamento de Joachim no seguimento do divórcio deste com Amalie, tomaria o lado da esposa do amigo (...expectável, ou não fosse também a música, afinal, uma mulher sensível que deve ser tratada com o máximo respeito, seja por melómanos ou não, coisa que Brahms se esforçava por corresponder... com aquele "lirismo" que lhe era reconhecido). Neste caso, os motivos que dariam a Joachim a dedicatória do seu concerto para violino (de 1878), pesariam menos que as alegadas falsas acusações de infidelidade. Romantismos à parte: o contrário é que não poderia ser... mais uma vez.
Em boa verdade, o afastamento temporário de Joachim deixaria Brahms ansioso por reparar a velha amizade. O jogo da pacificação iniciar-se-ia, e, após algumas tentativas de pontuação, viria a terminar na proposta que faz a Robert Haussmann, o violoncelista do Quarteto Joachim, de que lhe deveria escrever um concerto, proposta essa que, entretanto, se transformaria na sugestão a Joachim de que, por sua vez, deveria ser um concerto para violino e violoncelo, uma ideia que o violinista aceitaria, confirmando, assim, a boa jogada de Johannes com aquele Ás de trunfo chamado Haussmann!
Esta obra, a última à escala sinfónica que o compositor viria a compor, porventura até mais parecida com uma sinfonia do que com um concerto, seria escrita nas margens do lago Suíço de Thun durante as férias de Verão de 1887, selando desta forma a reconciliação dos dois amigos. Abrindo um parêntesis, não deixa de ser curiosa, também, a homenagem a Brahms instalada no antigo local da sua residência estival de Thun, um monumento que simbolizaria a música e a escuta musical, personificada pela estátua de uma mulher, claro, nua e de pé, com os olhos fechados e um dos braços numa posição que no mínimo nos deixa a pensar. Segundo o autor, Hermann Hubacher, aquela mão direita demonstraria uma audição musical atenta, e, no entanto, a dúvida persiste-me sempre que deixo a imaginação funcionar sobre o modelo e a inspiração utilizados para levar a cabo tal trabalho plástico... Por outro lado, e continuando a dar asas à imaginação (um perigo em determinados contextos, mas não neste), a ausência de dedicatória, substituída pela inscrição "Para ele, para quem este foi escrito", numa obra que termina com recordações do folclore da Hungria, a proveniência do amigo de infância Eduard Reményi, o "Paganini Húngaro" como teria sido apadrinhado por Liszt, permitiria deixar no ar possíveis suposições. Não deixaria de ser uma ode à amizade, já sobre qual ou quais delas poder-se-ia admissivelmente especular.
O concerto seria estreado por Joachim e Haussmann, de forma privada a 23 de Setembro de 1887, em Baden-Baden, e de forma pública no mês seguinte, no dia 18 de Outubro, em Colónia, com direcção do compositor, tendo sido recebido com modéstia pelo público e pela crítica, o que desencorajaria Brahms a continuar nesse registo, levando-o, deste modo, a dedicar-se à música de câmara a partir daí.
Embora a combinação de múltiplos instrumentos a solo fosse já conhecida (desde os concertos duplos de Bach, passando pela sinfonia concertante para violino e viola de Mozart, até ao concerto triplo para piano, violino e violoncelo de Beethoven), poucos haveria que tivessem precedido esta obra para violino e violoncelo. Essa realidade justificar-se-ia pela diferença de alcance sonoro entre os dois instrumentos, o que obrigaria o compositor a aplicar um cuidado redobrado na construção da partitura, preocupando-se na procura do equilíbrio de poderes entre os solistas e entre estes e a orquestra, enquanto afirmava o melhor das características tonais especiais do violoncelo e do violino (de notar que, à semelhança do que já antes acontecera com o seu concerto para violino, os conselhos técnicos de Joachim trariam, de igual modo, uma sonoridade brilhante e virtuosística a esta peça).
Finalmente, este concerto apresentaria os três andamentos tradicionais. Um Allegro inicial [1], belo e dramático, onde sobressai a energia do violoncelo; seguindo-se um Adagio [2], poético e estranhamente bucólico, quem sabe contemplativo das paisagens a partir das margens de um lago reparador do espírito; e terminando num Vivace non troppo [3] e no fascínio de Brahms pelo tal folclore tradicional húngaro, tão ao gosto do amigo Reményi... Ou seria Joachim? Amalie haveria também de gostar, não?

 
Nuno Oliveira

                          



"Concerto duplo p/ violino e violoncelo, em lá menor, op. 102"


✨ Extractos que proponho para audição:
  • Gerardo Ribeiro, Paulo Gaio Lima
  • Radio Philharmonie Hannover des NDR
  • Miguel Graça Moura
  • RCA, 7432 1 639742
✿"o belo": é lembrarmo-nos do Paulo Gaio Lima.
                [1-3] [youtube]






  • David Oistrakh, Mstislav Rostropovich
  • Cleveland Orchestra
  • George Szell
  • EMI, CDM 5 66902 2
✿"o belo": (A interpretação de referência desta obra. Oistrakh e Rostropovich imaculados
                e bem acompanhados por Szell e pela poderosa Orquestra de Cleveland daqueles
                anos 60. A não perder!)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Renaud Capuçon, Gautier Capuçon
  • Gustav Mahler Jugendorchester
  • Myung-Whun Chung
  • Virgin, 00946 395147 2 4
✿"o belo": (Uma interpretação impressionante dos irmãos Capuçon. Sincronismo
                 e colorido familiar evidentes, numa excelente escolha também.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Pinchas Zukerman, Ralph Kirshbaum
  • London Symphony Orchestra
  • Christoph Eschenbach
  • RCA, 09026 68964 2
✿"o belo": (Calor e expressividade num registo com a marca própria de Zukerman
                e Kirshbaum, acompanhados superlativamente pelo mestre Eschenbach.
                Uma magnífica proposta a descobrir.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Isaac Stern, Leonard Rose
  • The Philadelphia Orchestra
  • Eugene Ormandy
  • Sony, SBK 46335
✿"o belo": (Registo lendário, repleto de paixão e excitação, onde a amizade e parceria
                dos dois solistas se nota no alinhamento artístico. O som pode ser um pouco
                áspero, mas a eloquência interpretativa está toda lá. Um clássico dos anos 70
                a não perder.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Isaac Stern, Yo-Yo Ma
  • Chicago Symphony Orchestra
  • Claudio Abbado
  • Sony, SK 45 999
✿"o belo": (A nobreza sonora do jovem Ma e a espontaneidade interpretativa do
                sábio Stern em destaque. Abbado e orquestra de Chicago exemplares
                numa proposta de excelência também.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Jascha Heifetz, Gregor Piatigorsky
  • RCA Victor Symphony Orchestra
  • Alfred Wallenstein
  • RCA, GD86778
✿"o belo": (O romantismo e virtuosismo de dois gigantes, com a sonoridade escura
                de um violoncelo que deixa curiosidade e a luminosidade de um violino que
                chega a encandiar. O final é excitante e a sonoridade de 19 de Maio de 1960
                continua a ouvir-se muito bem. Histórico e imprescindível.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Anne-Sophie Mutter, António Meneses
  • Berliner Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 410 603-2 GH
✿"o belo": (A orientação sábia de von Karajan e o brilhantismo sonoro dos
                jovens músicos Mutter e Meneses. Uma escolha a ter em conta.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






  • Vladimir Spivakov, Alexander Kniazev
  • Royal Philharmonic Orchestra
  • Yuri Temirkanov
  • RCA, 09026 61696 2
✿"o belo": (Calor sonoro, brilhantismo virtuosístico e excelente suporte de 
                Temirkanov e da orquestra britânica. Uma escolha de qualidade.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]





  
   
✰ Outras sugestões:
  • Lydia Mordkovitch/Raphael Wallfisch/Neeme Järvi/London Symphony Orchestra/Chandos, CHAN 8667 (Interpretação irrepreensível e também uma boa opção.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]




  • Gidon Kremer/Mischa Maisky/Leonard Bernstein/Wiener Philharmoniker/Deutsche Grammophon, 410 031-2 GH (Kremer, Maisky e Bernstein ao vivo em 1983.), [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube]






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Johannes Brahms [Viena, 1887]



                   A "Música" vista de Thun                                              Joachim e Amalie

 




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Retrato revelador [Estágio JOP, 2018].





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domingo, 9 de maio de 2021


53. Dvorák: sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo" |

A "Sinfonia nº 9" de Antonín Dvorák e os sons de casa nas páginas "Do Novo Mundo".






Para o Paulo, que deu a conhecer um mundo novo a quem lhe dera a conhecer um mundo novo também.






A história de Antonín Dvorák (1841-1904) e da sua Sinfonia nº 9, em mi menor, op. 95, "Do Novo Mundo", iniciar-se-ia curiosamente nas docas nova-iorquinas, mais propriamente nos armazéns de Francis Thurber, um lugar e uma actividade comercial indispensáveis à obtenção do exorbitante montante de um milhão e meio de dólares (nos anos noventa... do séc. XIX!, é importante salientar) que Jeanette, a melómana esposa, despenderia num fiasco chamado Companhia de Ópera em Língua Inglesa, o que a levaria a insistir por outras actividades artísticas, uma mania que viria a culminar na criação do Conservatório de Música de Nova Iorque. Uma melo...mania que daria frutos históricos, como se viria a confirmar.
O Conservatório de Música de Nova Iorque era uma instituição pouco usual para aquela época. O objectivo da sua fundadora, Jeanette Thurber (perdoem a insistência nominativa, que justifico sob forma de singela homenagem à vontade de ferro da senhora...), era de estabelecer uma escola nacional americana de composição. A escola não atribuiria qualquer diploma, mas, em contrapartida, oferecia um ensino gratuito a TODOS aqueles que não conseguiam suportar os custos e encorajava o envolvimento de estudantes negros. Em síntese, a escola da sra. Thurber "só" ensinava a compor TODOS os que quisessem por lá aparecer... e se sujeitar a aprender com alguns dos melhores que percorriam os caminhos da Terra e do Espírito por aqueles dias. Uma ideia dum humanismo sem paralelo, e, também por isso, excessivamente progressista, mesmo perigosa, para algumas opiniões estabelecidas na praça... do género daquelas que, dois milénios antes, haviam pregado aquelas Ideias numa cruz.
No virar daquele século, e apesar da maioria dos compositores europeus considerarem a aventura americana com extrema cautela (ou não se tratasse, como diria Hugo Wolf, de "um lugar onde nem os rouxinóis cantam"; sendo reconhecido que a metáfora conduz ao exagero, este será um bom exemplo na minha opinião), a direcção que Dvorák, um dos melhores, seguiria, levá-lo-ia de facto a Nova Iorque e a mostrar o caminho que Gustav Mahler trilharia alguns anos a seguir. Depois de vários meses de negociação e de uma soma irrecusável de $15000 de salário anual, um valor incomparável aos $600 que auferiria no Conservatório de Praga (...a um ano de trabalho em Nova Iorque corresponderiam vinte e cinco em Praga! Uma America Great... That Day), Dvorák partiria para Nova Iorque, com a esposa e duas das suas filhas, em Setembro de 1892, cidade onde permaneceria na direcção daquele Conservatório de Música até 1895, três anos em tempo americano e setenta e cinco em europeu (é só fazer a conta...), pelo que menos que a excelência a sua empregadora não lho poderia permitir, tendo sido isso mesmo aquilo que ele lhe ofereceu quando, pela primeira vez, pegou na caneta que Lewis Waterman estaria a inventar por aquela altura, não longe dali.
E assim nasceria a Sinfonia do Novo Mundo, escrita entre Dezembro de 1892 e Maio de 1893, a partir da sua acolhedora casa da End 17th Street, Stuyvesant Park, com vista para os bosques da Boémia e para as planícies Americanas, a primeira obra que escreveria naquele país, logo após a calorosa recepção dada pelos emigrantes checos à sua chegada e subsequente temporada que passaria em Spillville, no Iowa, uma estadia organizada pelo jovem violinista checo-americano, Josef Jan Kovhrik, num lugar famoso pela sua comunidade checa e, ao que parece, pelas fortes celebrações báquicas decorrentes e recorrentes, um ambiente que, à partida, não só lhe proporcionaria um lá-mi-ré de casa, como também todas as restantes notas das variadas escalas musicais... Há quem diga que a principal inspiração neste Novo Mundo, teria sido mesmo aquela que teria vivido em Spillville... na "Boémia"...
Com efeito, e embora Dvorák faça uso de ritmos e melodias afro-americanas ou ameríndias, a realidade é que esta obra seria ainda muito checa na sua substância. Poderia ter sido criada na realidade fascinante dum Mundo Novo, e, no entanto, o que a preencheria seriam as memórias nostálgicas do Mundo Antigo, especialmente do das canções e danças da sua Boémia.
Seria conhecida a apreciação do compositor pela expressividade e conteúdo melódico das canções de trabalho das plantações de algodão e dos espirituais negros, um gosto que lhe teria surgido após ter escutado as canções interpretadas por H. T. Burleigh, um talentoso estudante negro do conservatório, e a obra do compositor Stephen Foster, o "Pai da música Americana". Juntando-se a este facto, Dvorák conheceria já a tradução em língua checa do poema épico Song of Hiawatha, um retrato poético das lendas dos nativos ameríndios do dramaturgo Henry Longfellow, absorvendo assim as influências americanas nós só da música como também da literatura.  
Essa influência seria particularmente verdadeira nos dois andamentos centrais, onde, nas palavras do compositor, o Largo [II] evocaria o funeral trágico de Minnehaha, a amada do líder Hiawatha, enquanto que o Scherzo seguinte [III] descreveria uma boda na floresta, e, mais concretamente, a dança do agitador Pau-Puk-Keewis. Na realidade, as semelhanças existentes nos ritmos sincopados e harmonias pentatónicas eslavas e americanas, criariam dificuldades na identificação clara de cada uma das influências, e se à justificação do título "Do Novo Mundo" fosse referido que apenas se quereria subentender "impressões e saudações do Novo Mundo" e que "apenas utilizei temas que criei, nos quais incorporei características da música dos negros e dos índios vermelhos", também não poderíamos deixar de notar a tristeza de alguém que se encontraria a seis mil quilómetros de casa, da maioria da família e de todos os amigos, porque, e apesar do acolhimentos entusiasta inicial, não havia feito nenhum amigo próximo naquela comunidade de imigrantes ou mesmo na sua principal admiradora, que não deixaria de ser também a sua patroa e alguém que teria desejado uma ópera baseada na obra de Longfellow e teria recebido uma sinfonia em vez disso... A resposta sobre se o material melódico é mais americano ou mais checo cedo gerou controvérsia exagerada e discussão inútil, que poderiam ter sido seguramente evitadas pela compreensão daquilo que o autor declararia ao New York Herald na véspera da estreia: "A Sinfonia nº 9 é música checa nascida do patriotismo, mas eu nunca teria sido capaz de a escrever se não fosse pela influência do Novo Mundo". Parece-me que isto diz tudo.
Finalmente, a sinfonia seria estreada no Carnegie Hall de Nova Iorque a 16 de Dezembro de 1893, pela Philharmonic Society com direcção de Anton Seidl, e embora não tivesse participado no ensaio aberto da véspera, Dvorák estaria presente na apresentação daquilo que seria um enorme sucesso. Não só teria havido um Encore do segundo andamento (Largo) como o compositor teria recebido uma ovação de pé... a cada andamento(!), pelo que a obra seria considerada um marco no reportório de concerto internacional, desde então, e um cartão de visita de todos os grandes maestros checos, como são os exemplos de Kubelik e Pesek, em interpretações propostas a seguir.  
E como estamos no mês de Maio, em plena Primavera de aparições, onde florescem coisas boas e nascem outras tantas, é de igual modo importante salientar que Antonín Dvorák concluiria esta partitura a 24 de Maio de 1893, sendo curiosa a anotação na última página sobre um telegrama que teria chegado às 13h33min desse dia, informando-o que os seus outros filhos teriam chegado a Southampton, a caminho da América onde iriam passar o Verão. Os sons de casa nas páginas do Novo Mundo, mais uma vez... não?
   
Nuno Oliveira




"Sinfonia nº 9, em mi menor, op. 95, Do Novo Mundo"


✨ Extractos que proponho para audição: (nota: ver também publicação nº 36 e 89)
  • New York Philharmonic
  • Kurt Masur
  • Teldec, 9031-73244-2
✿"o belo": toda a obra (Elevada carga emocional dum registo ao vivo, em Nova Iorque.
                Tensão do princípio ao fim, com destaque para a extraordinária expressividade
                do segundo andamento, um Largo inesquecível. Do melhor que o catálogo tem
                para oferecer. A não perder!), com alguns destaques, identificados a seguir;
                [I]: tutti, aos 0:00-1:00 (Tensão perceptível...) e 1:00-... (...que os jogos comecem!)
                [youtube] [iTunes]
                [II]: corne inglês, aos 0:41-2:12, 3:58-4:28 e 9:36-10:06 ("o belo" e maravilhoso
                corne inglês!); trompas, aos 4:44-5:09 (O som e a sua recordação...); oboé e
                tutti, aos 5:10-5:44 (...a máxima expressividade!); tutti, aos 10:07-11:11 (Quando
                a música é a própria ausência do som... isso é "o belo"!) [youtube] [iTunes]
                [III]: tutti (Determinação do primeiro ao último compasso.) [allmusic] [iTunes]
                [IV]: tutti, aos 0:00-1:12 (Início poderoso...); clarinete e tutti, aos 1:48-2:42
                (melancolia, a seguir...); tutti, aos 5:48-6:55 (expressividade dos fff aos ppp...);
                cordas, aos 6:56-7:50 (friccionas por sentimentos profundos...); trompas, aos 8:25-
                8:42 (Virtuosismo? Presente!); metais, aos 8:42-9:34 (A sonoridade grandiosa...);
                tutti, aos 10:16-∞ (...e um final (?) solene e contemplativo!) [youtube] [iTunes]






  • Scottish National Orchestra
  • Neeme Järvi
  • Chandos, CHAN 8510
✿"o belo": (Uma interpretação audaz com contrastes dramáticos e frases persuasivas,
                onde se destaca o equilíbrio entre a excitação e o relaxamento. Músicos
                escoceses em plena forma e direcção sublime do mestre Neeme Järvi. Outra
                gravação a não perder.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Berliner Philharmoniker
  • Rafael Kubelik
  • Deutsche Grammophon, 457 300-2 32
✿"o belo": (Intrépido e cristalino, eis um registo de referência pelos músicos
                berlinense e o maestro Rafael Kubelik. Fresco, vigoroso e intemporal.
                Um registo obrigatório em qualquer colecção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
  • Libor Pesek
  • Virgin, VC 7 90723-2
✿"o belo": (Interpretação espontânea e sonoridade calorosa. Um segundo
                andamento majestoso e um final fulgurante. Uma boa escolha também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
  • Colin Davis
  • Philips, 420 349-2 PM
✿"o belo": (Uma leitura diferente, sem excessos de excentricidade, onde a
                simplicidade e o lirismo dominam. Músicos holandeses de parabéns e
                o maestro inglês também. Uma versão a escutar e a ter em conta.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Royal Concertgebouw Orchestra
  • Antal Dorati
  • Philips, 454 538-2 10
✿"o belo": (Uma visão vibrante e extrovertida. Tensão contínua e elevado nível
                de adrenalina no final. Um clássico para coleccionadores, que merece
                ser descoberto apesar do som tradicional dos anos 50.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 415 509-2 GH
✿"o belo": (Um registo onde se destacam a excelência das madeiras vienenses e a
                majestosidade interpretativa do mestre von Karajan. Uma boa opção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]





  
   
✰ Outras sugestões:
  • Jirí Belohlávek/Czech Philharmonic Orchestra/Supraphon, SU 3639-2 031 (Sonoridade fresca e interpretação de carácter tradicional, mais polida do que tensa. Excelentes solistas no largo.)  [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]



  • Georg Solti/Chicago Symphony Orchestra/Decca, 410 116-2 DH (Uma sinfonia talhada para o som exuberante da Chicago Symphony. Direcção expressiva do mestre Solti a condizer.)  [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Seiji Ozawa/Wiener Philharmoniker/Philips, 432 996-2 PH (Registo ao vivo no Musikverein de Viena, com destaque para o vigor sonoro da orquestra vienense e para a visão directa do mestre Ozawa.), [I-IV] [youtube], [I-IV] [youtube]




  • André Previn/Los Angeles Philharmonic Orchestra/Telarc, CD-80238 (Som cheio que privilegia a elegância à agressividade, e uma leitura sem arestas a acompanhar.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Lorin Maazel/Wiener Philharmoniker/Deutsche Grammophon, 410 032-2 GH (Sentimentos mais distantes nesta visão directa e objectiva do mestre Maazel.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Wolfgang Sawallisch/The Philadelphia Orchestra/EMI, CDC 7 49114 2 (Um registo que privilegia a contemplação à disrupção, com a tensão a sentir-se suave no segundo andamento. O "Scherzo capriccioso", Op. 66, é um excelente bónus.), [I-IV] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






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Antonín Dvorák com a família e amigos [Nova Iorque, 1893]




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"Mundos novos que nos tornam melhores".



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sábado, 24 de abril de 2021


52. Bartók: Concerto para Orquestra |

Béla Bartók e o seu "Concerto para Orquestra"; uma música nova sobre a velha Europa, absorvida pelos ouvidos antigos de uma América moderna.






Para o Horácio.
...no dia do seu neto André, um pirata que hoje conseguiu reunir a família de humores mais eslavos. A do "Ladislav", é claro.  






Béla Viktor János Bartók (1881-1945) foi um Homem excepcional.
O professor Béla era um extraordinário virtuoso do piano, docente deste instrumento na Academia de Budapeste, um pedagogo calmo e paciente, que adorava a companhia dos jovens e se sentia extremamente tocado pela admiração que os seus alunos tinham por si (Solti foi um deles, e isso nota-se em frente ao hi-fi!). Já o compositor Bartók foi um criador genial, introvertido e de poucas palavras na maioria das ocasiões, excepcionando-se porventura aquelas em que o "navegador", de gramofone à ilharga, percorreria os campos com o amigo Kodály à descoberta das melodias eslavas dos camponeses seus conterrâneos. Por outro lado, e mais importante ainda, o húngaro Béla Bartók era um ser humano livre, que acima de tudo desprezava a intolerância, a ditadura e o fascismo, motivos que o terão obrigado a abandonar o conforto da terra natal que amava, mas que via envelhecer com o ideal Nazi. Naquela época, outros houveram que, concordando com os mesmos ideais de liberdade, o não terão feito, tomando decisões que privilegiariam o status quo à defesa desses ideais. Provavelmente teriam os seus motivos; um dos principais poderia ter sido, seguramente, o medo da perda da própria vida, facto que por si só nos permitiria optar por enquadrar estes assuntos controversos (em tempos de paz...) na vertente humanista em desfavor da artística, uma vez que o que estará aqui em causa será, depois de tudo espremido e exprimido, o grau de coragem de cada um. O génio do artista é uma coisa, a coragem do homem é outra, e a polémica deveria acabar aqui, sem heróis nem vilões... entendo eu.    
E assim, os ideais de Béla Bartók dariam à costa em Lisboa, cidade atlântica de onde aquele Homem e a sua esposa Ditta, tomariam o navio que os levaria para os Estados Unidos, no dia 20 de Outubro de 1940 (pelo que, como poderão compreender, a anterior referencia à palavra "navegador" não terá sido totalmente inocente... por inúmeros motivos).
Bartók estabelecer-se-ia em Nova Iorque com boas expectativas, e, em Dezembro desse ano, completa uma nova versão de concerto da sua sonata para dois pianos e percussão, elaborada quatro anos antes. A Universidade Columbia atribui-lhe uma bolsa especial em Março de 1941, e Bartók começa a trabalhar na colecção de Milman Parry, uma colectânea de gravações de música tradicional jugoslava que estaria guardada na Universidade de Harvard, enquanto editava, simultaneamente, as suas próprias colecções de música tradicional turca e romena. O salário seria modesto, mas o trabalho interessava-lhe, no sentido em que representaria, admissivelmente, a manutenção dos laços com o velho continente e a ligação à sua anterior actividade de investigação musicológica na Hungria.
Mas como tantas vezes na vida, depois de uma fase de felicidade viria uma época de angústia e desilusão. Em Dezembro de 1942, o posto na Universidade Columbia seria descontinuado e Bartók destituído do cargo. Posteriormente, em Fevereiro de 1943, é-lhe diagnosticada leucemia na sequência do colapso que tivera durante uma palestra realizada em Harvard. Á fragilidade provocada pela doença, seguir-se-ia a ausência de concertos do pianista e as preocupações financeiras daí decorrentes, ao que os constrangimentos sentidos pela separação da sua terra natal fariam agravar ainda mais a situação, na época menos profícua do compositor e também numa altura de rejeição na apresentação da sua música, considerada demasiado moderna pelos "americanizados" ouvidos americanos, mais interessados em Copland por aqueles dias.
No entanto, seria nesta situação desesperante que o apelo das raízes funcionaria e os amigos chegariam em seu auxílio. As contribuições mais importantes partiriam do violinista Joseph Szigeti e de Fritz Reiner, o maestro da orquestra Sinfónica de Pittsburgh e o futuro mago que daria fama mundial à Orquestra Sinfónica de Chicago (existem exemplos em baixo que justificam alguns porquês... é fácil de saber quais são... são os dois primeiros!). Na realidade, os dois amigos viriam a persuadir Serge Koussevitzky, o famoso maestro da Orquestra Sinfónica de Boston, a encomendar-lhe uma obra para grande orquestra. A trama estaria de tal forma bem engendrada, que o compositor seria induzido a acreditar que tal iniciativa teria vindo do próprio Koussevitzky. Com efeito, a realidade seria mantida secreta, na medida em que o seu orgulho (eslavo...) não lhe permitiria aceitar alguma coisa que se assemelhasse a qualquer espécie de caridade. E Szigeti e Reiner sabiam bem disso.
Depois de uma pausa criativa de mais de dois anos, Bartók começaria assim, em Agosto de 1943, a compor novamente a partir do sanatório onde estava hospitalizado, junto das montanhas de Adirondack e dos lagos de Saranac, no ambiente são que lhe proporcionaria o ânimo necessário para que, em menos de dois meses, em Outubro, conseguisse escrever o seu Concerto para orquestra, sz 116. Koussevitzky viria a dirigir a estreia a 1 de Dezembro desse ano, em Boston, e a obra atingiria o sucesso imediato. O compositor encontrar-se-ia demasiado debilitado para assistir ao concerto de estreia, mas os seus médicos dar-lhe-iam permissão para que pudesse estar presente em apresentações posteriores, já no final de Dezembro. O público brinda-o com uma aclamação tumultuosa, transportando-o subitamente da obscuridade redutora para a fama excessiva, Koussevitzky torna-se um defensor incondicional da obra, e, tomando em conta as palavras que o compositor escreveria numa carta daquela época, é reconfortante suspeitar de que ele ainda testemunharia uma parte deste enorme sucesso antes do seu falecimento, que viria a ocorrer a 26 de Setembro de 1945, em Nova Iorque: "Koussevitzky está muito entusiasmado e diz que é "a melhor peça para orquestra dos últimos 25 anos" (incluindo as obras do seu ídolo Shostakovich!)". Ainda assim, as últimas palavras dão-nos a sensação do algum ressentimento que ainda manteria pelo seu trabalho ter sido negligenciado, por contraste ao de Shostakovich e da sua Sinfonia nº 7, "Leninegrado", que com o seu "ridículo" (palavra feia, esta de Béla...) tema marcial, teria sido extraordinariamente bem acolhida devido aos sentimentos em tempos de guerra.
O nascimento deste Concerto para Orquestra representaria, assim, o triunfo da mente daquele homem sobre a matéria real da sua doença fatal. É extraordinário como Bartók, gravemente doente e com a vida a prazo, consegue criar uma das suas obras mais vibrantes e poderosas, sintetizando, ao mesmo tempo, tudo o que descobrira e aprendera durante mais de três décadas de estudo intensivo das canções populares e da música tradicional do leste europeu, escutadas segundo a tradição vienense, umas vezes, e através da inovação musical do séc. XX, noutras. Nas notas de programa para a estreia, escreveria: "Excluindo as brincadeiras do segundo andamento, o ambiente geral da obra representa uma transição gradual da severidade do primeiro andamento e da "lúgubre canção de morte" do terceiro, até à afirmação de vida do último".
Esta obra apresentaria cinco andamentos ao género de uma sinfonia, mas tratando, de maneira consciente e propositada, cada um dos instrumentos de forma concertante. Inicia-se [1] tranquila e misteriosa, com um tema tradicional húngaro nos contrabaixos, desenvolvendo-se em intensos apontamentos nos metais, ritmos herdados de uma dança popular búlgara e em harmonias do folclore romeno e eslovaco. O segundo andamento, Giuoco delle coppie: allegretto scherzando [2], ligeiro e airoso, destaca-se pelo "jogo de casais" mencionado por Bartók no título do andamento (nos editados até aos anos oitenta, pelo menos), onde os temas são apresentados aos pares, iniciando-se com a dança de roda dos fagotes, ao estilo do Kolo jugoslavo. Sobre este andamento, é interessante referir que após a consulta do manuscrito original, guardado na Biblioteca do Congresso, em Washington, George Solti apercebe-se de que o que Bartók teria na realidade escrito, seria: Presentando le coppie: allegro scherzando, uma "apresentação dos casais" que, de facto, mudaria a história sonora e tornaria a peça em algo diferente do que até aí era supostamente esperado. Seguir-se-ia o terceiro andamento [3], um nocturno pontuado por aparições de dor, possivelmente relacionadas com o contexto vivido pelo compositor naquele momento, quer fossem de ordem pessoal, com a desolação da doença, ou universal, com a ruina da cultura europeia naqueles dias negros da segunda guerra mundial. O quarto andamento [4] apresentaria melodias alegres, que entretanto seriam interrompidas por citações do tema da tal Sinfonia nº 7, "Leninegrado", que Shostakovich escrevera em 1941, e que Bartók ouvira numa transmissão radiofónica no Verão de 1943, enquanto compunha, ele próprio, o seu Concerto para Orquestra (destino dirão uns, timming perfeito dirão outros). Este tema, considerado banal pelo compositor, seria parodiado orquestralmente através da utilização de determinados efeitos, como glissandos e trilos, embora seja honesto dizer também, que a monotonia marcial do mesmo, já seria, ela própria, uma tentativa de Shostakovich em zombar com a pompa Nazi... ao ritmo de um bolero pelas botas da Wehrmacht. Contas feitas, e, no final, ficamos sem saber bem quem é que gozou com quem...
E o concerto chegaria ao fim no quinto andamento [5], com a celebração da vida e o triunfo sobre as visões obscuras do terceiro andamento e o humor grotesco do quarto, através do uso dos elementos concertantes e virtuosísticos que tão bem caracterizam esta odisseia sonora, e do "abuso" decorrente da derradeira "puxada de metais", introduzida nos vinte compassos finais que o compositor acrescentaria posteriormente... para, quem sabe, oferecer algum do glamour de Hollywood como forma de retribuição ao país que o acolhera e lhe servira de refúgio.
Aquele país certamente agradeceu... e a restante diversidade também. 
    
Nuno Oliveira     




"Concerto para orquestra, sz 116"


✨ Extractos que proponho para audição: 
  • Chicago Symphony Orchestra
  • Pierre Boulez
  • Deutsche Grammophon, 437 826-2 GH
✿"o belo": toda a obra (Da excelência dos pormenores até à explosão final. Boulez
                brilhante e uma Chicago Symphony verdadeiramente virtuosa. Um registo
                arrepiante, a não perder!), com alguns destaques, identificados a seguir;
                [1]: tutti, aos 0:00-... (Do início nocturnal dum adormecer...); aos 3:09, 4:15
                e 5:30 (...passando pelas várias etapas do sono...); aos 9:00 (...até ao súbito
                despertar!) [youtube]
                [2]: fagotes, aos 0:00-0:34 e 3:58-4:21 (...que dão voz à história!) [youtube]
                [3]: tutti, aos 0:00-... (E os mistérios sucedem-se com dinâmicas variadas...)
                [youtube]
                [4]: tutti, aos 0:00-... (...e ritmos multifacetados, até ao...) [youtube]
                [5]: metais, aos 0:00-0:66 (...Concerto da orquestra! Metais para começar...);
                tutti, aos 0:07-8:21 (...o virtuosismo de todas as vozes a seguir... (tímpanos
                inclusive aos 3:40-3:42)); metais e tutti aos 8:22-9:18 (até acabarmos no
                turbilhão eslavo "do" Vitória!) [youtube]






  • Chicago Symphony Orchestra
  • Georg Solti
  • Decca, 400 052-2 DH
✿"o belo": (O som poderoso e exuberante num registo superlativo pelos dois
                especialistas na matéria: o mestre Solti e a Chicago Symphony... uma vez
                mais. Uma referência para ouvir com atenção.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube], [5] [youtube]






  • City of Birmingham Symphony Orchestra
  • Simon Rattle
  • EMI, CDC 5 55094 2
✿"o belo": (Uma das maiores conquistas do mestre inglês ao vivo. Expressividade,
                emoção, detalhe e o reconhecimento merecido num aplauso final.
                Uma interpretação difícil de repetir, até mesmo para Rattle... Um minuto
                que o prova reside entre os 7:23-8:23 (brutal!). A não perder também.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube], [5] [youtube]






  • Philharmonia Orchestra
  • Hugh Wolff
  • Teldec, 9031-76350-2
✿"o belo": (Magnífica interpretação de Wolff e dos seus músicos londrinos. Som
                 vivo e ferocidade a condizer. Uma excelente escolha também.)
                [1-5] [allmusic]






  • Oslo Philharmonic Orchestra
  • Mariss Jansons
  • EMI, CDC 7 54070 2
✿"o belo": (Performance extraordinária dos músicos noruegueses sob direcção do mestre
                Jansons. Som cortante e uma proposta a ter em conta.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube], [5] [youtube]






  • Orchestre Symphonique de Montréal
  • Charles Dutoit
  • Decca, 421 443-2 DH
✿"o belo": (Interpretação excitante por um binómio sinónimo de qualidade. Se a isto
                juntarmos a providência divina da sonoridade da Igreja de S. Eustáquio, 
                então ficamos com um registo a ter em conta.)
                [1] [youtube], [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube], [5] [youtube]






  • Münchner Philharmoniker
  • Sergiu Celibidache
  • EMI, CDC 5 56528 2
✿"o belo": (Registo ao vivo em Munique onde se destacam os detalhes interpretativos
                e as idiossincrasias características do mestre romeno. Uma escolha a ter em
                conta e obrigatória para os apreciadores de Celibidache. Sou fã!)
                [Sequência ensaio] [youtube], [1-5] [amazon], [1-5] [discogs]





  
   
✰ Outras sugestões:




  • Paavo Järvi/Cincinnati Symphony Orchestra/Telarc, CD-80618 (A visão diferente de Järvi, sentida de perto no Finale.), [2] [youtube], [3] [youtube], [4] [youtube], [1-5] [Spotify],            [1-5] [iTunes]




  • Andrew Davis/Royal Stockholm Philharmonic Orchestra/Finlandia, 0630-14909-2 (Um registo interessante a descobrir.), [1-5] [Spotify], [1-5] [allmusic]






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Béla Bartók [Nova Iorque, 1945]




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"O Pirata e o Ladislav junto dos seus, em Monte Gordo" [Agosto, 2010]



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