quinta-feira, 17 de dezembro de 2020


45. Beethoven: sinfonia nº 6, "Pastorale" |

A naturalmente genial Sinfonia nº 6, "Pastorale", numa joint-venture de Ludwig van Beethoven com outros frequentadores do imaginário real.






À memória da mais bela Rosa daquele presépio à beira-rio.
Que o som das suas águas continue a inspirar os filhos da mesma forma que inspirou os pais. 


E aos 250 anos de Ludwig van Beethoven.






Embora não se conheça, com total certeza, o dia em que Ludwig van Beethoven terá respirado os ares de Bona pela primeira vez (estima-se que foi num dia 16 de Dezembro), gosto de acreditar que teria sido no dia do seu baptismo, ocorrido a 17 de Dezembro de 1770, que o bebé Ludwig terá estreado as sensações da luz e do som, no entanto sem certezas sobre qual destas em primeiro, se a do sol que trespassaria, colorida, aqueles vitrais, ou a dos ecos que se multiplicariam, em frequências variadas, por aquelas paredes, ambas na Igreja da Paróquia de S. Remígio. Provavelmente ouviu primeiro para logo abrir os olhos curiosos, e, assim, nascer nesse abençoado dia... há 250 anos. 
(Muitas vezes a beleza do mundo natural motiva-me a algum fervor religioso e a considerações que Ludwig certamente não levaria a mal... Pelo menos esta é a convicção com que sempre me deparo, todas as vezes que termino de escutar a sua Sinfonia nº 6, op. 68, Pastorale. Melhor justificação para determinado atrevimento, porventura, não haverá.)
Composta juntamente com a sua Sinfonia nº 5 e os três Quartetos Razumovsky nos retiros de Verão passados entre 1807 e 1808 em Heiligenstadt, uma localidade campestre (hoje um subúrbio de Viena) situada na margem direita do Danúbio, a Sinfonia nº 6 exteriorizaria finalmente os sentimentos profundos de Beethoven (1770-1827) pela natureza, apresentando, deste modo, um carácter programático de forma algo intencional.
O título desta sinfonia, que o autor chamaria originalmente de Caracteristica, Pastorella e, finalmente, Pastoral, chegaria aos nossos dias como Pastorale. Como o nome seguramente indicia, esta música transporta-nos para o ambiente apelativo da natureza, o meio sugestionador da poesia que, por sua vez, inspiraria compositores a partir do séc. XVII, através de obras como Le devin du village, de Rousseau, onde a estética da natureza é altamente trabalhada. O que Ludwig faria, seria eliminar o intermediário e ir beber directamente à fonte, neste caso efectivamente natural.
Na realidade, Beethoven viria a defender a sua sinfonia contra a ideia da interpretação literal de tais pensamentos e imagens através da música, rejeitando inicialmente qualquer intenção programática para uma melhor compreensão da sua obra, demonstrado, aliás, pelo que viria a escrever no seu caderno de rascunho, conhecido hoje como Landsberg 10: "... alguém que tenha a mínima ideia do que é a vida no campo, pode compreender facilmente as intenções do compositor sem a necessidade de notas adicionais". A proposta seria então: ouve e pensa; sem que se pretendesse, entretanto, admitir a vice-versa que o autor viria a aceitar progressivamente, justificada pela utilização de designações e textos programáticos, como viriam a ser exemplos o próprio titulo e o guia de concerto disponibilizado à audiência na noite da estreia: "Sinfonia Pastorale, uma expressão dos sentimentos mais do que uma pintura musical"; "Primeira peça: o despertar de sensações agradáveis na chegada ao campo" ([1], com os sons dos pássaros introduzidos pelo violino); "Segunda peça: cena junto ao ribeiro" ([2], o som da água na corrente pelas cordas, rouxinóis, codornizes e cucos nas flautas, oboés e clarinetes); "Terceira peça: alegre encontro com danças populares" ([3], as danças típicas dos camponeses da Baixa Áustria e da Estíria, e correspondentes peripécias interpretativas, moderadamente parodiantes, dos músicos amadores nativos dessas regiões); "Quarta peça: relâmpagos e tempestade" ([4], com a dança a terminar de forma abrupta e os músicos a fugirem ao romper da tempestade); "Quinta peça: canção do pastor, a felicidade depois da tempestade e os sentimentos de agradecimento pelas bênçãos, à divindade" ([5], com as melodias iodelei-iodelei-iodelei...izantes e um hino do pastor para uma paz que retorna à aldeia).
Escrita para uma orquestra clássica, composta pelas tradicionais madeiras (flautas, oboés, clarinetes e fagotes), trompas e cordas, e adicionais trompetes (um par...) para as danças (ou eventual farra...) no terceiro andamento, e tímpanos, flautim e trombones (dois...) para a tempestade no quarto... andamento, esta sinfonia viria a ser estreada a 22 de Dezembro de 1808 em Viena, num concerto de beneficência realizado no Theater an der Wien, que incluiria, também, as estreias da Sinfonia nº 5, do Concerto para piano nº 4, da Fantasia para piano coro e orquestra, do recitativo e ária "Ah, Perfido" e da Gloria e do Sanctus da sua Missa em dó Maior, o que pelas minhas contas totalizariam muito para lá das três horas de concerto e um belíssimo exemplo dos exageros dum romantismo que começava a romper em força (...para utilizar uma expressão que me parece adequada à corrente estética). Não haveria, certamente, necessidade...
Embora as partes musicais tenham sido editadas logo em 1809, em Leipzig, a partitura completa só viria a ser publicada pela primeira vez em 1826. Esta conteria a música, titulo e notas de programa correspondentes, informações mais do que suficientes para a maioria daqueles que usufruem da genialidade de Beethoven, maioria à qual natural e despretensiosamente acredito pertencer, e, ainda assim, a cada sessão de audição descubro-me a folhear as palavras sobre o que o seu amigo e um dos seus primeiros biógrafos, Anton Schindler, viria mais tarde a contar:
"- À medida que íamos caminhando sobre a erva agradável do vale entre Heiligenstadt e Grinzing, Beethoven parava com frequência e lançava o seu olhar através da bela paisagem, repleto de sentimentos felizes. Depois sentava-se num campo, encostado a um ulmeiro, e perguntava-me se eu conseguia ouvir alguma escrevedeira-amarela nas copas mais altas daquelas árvores. Mas tudo estava silencioso... Por fim dizia: - Foi aqui que eu compus a cena junto ao ribeiro, com as escrevedeiras-amarelas a sobrevoarem e as codornizes, os rouxinóis e os cucos a comporem juntamente comigo."... uma poesia que enriquece o ouvido de qualquer um.
Parabéns Ludwig! 
      
Nuno Oliveira      




"Sinfonia nº 6, em fá maior, op. 68, Pastorale"


✨ Extractos que proponho para audição: (nota: ver também publicações nº 3, 62, 75 e 81)
  • Wiener Philharmoniker
  • Karl Böhm
  • Deutsche Grammophon, 447 433-2 GOR
✿"o belo": toda a obra (Um registo glorioso, com todos os elementos naturais à vista.
                O mestre Karl Böhm? Insuperável desde 1971. A não perder!), com alguns
                destaques, identificados a seguir;
                [I]: cordas, madeiras e trompas (... com a aragem debaixo das asas!) [youtube]
                [II]: cordas, madeiras e trompas (O ecossistema terrestre aos nossos pés...) [youtube]
                [III]: tutti e trompas (O fogo da festa!) [youtube]
                [IV]: tutti, tímpanos, metais e flautim (Tempestades naturais e humanas...) [youtube]
                [V]: tutti, cordas e trompas (E a paz volta a"o belo" reino natural...) [youtube]






  • The Hanover Band
  • Roy Goodman
  • Nimbus, NI 5099
✿"o belo": (Uma brutal interpretação com instrumentos de época. A "natureza da música"
                levada ao extremo por músicos exímios, dirigidos magistralmente por Goodman.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • The Chamber Orchestra of Europe
  • Nikolaus Harnoncourt
  • Teldec, 9031-75709-2
✿"o belo": (Soberbo som orquestral, com timbres ricos e captação clara. O gosto do mestre
                compreende-se e o dia está lindo, embora haja mais sombra do que luz aqui.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]







  • Philharmonia Orchestra
  • Vladimir Ashkenazy
  • Decca, 410 003-2 DH
✿"o belo": (Sonoridade calorosa numa interpretação aconchegante para as noites
                 frias de inverno. Uma "maravilha da natureza" a não perder também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Simon Rattle
  • EMI, 6 31769 2
✿"o belo": (Magnetismo e brilhantismo registado ao vivo, como Rattle já nos habituou.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Leonard Bernstein
  • Deutsche Grammophon, 413 779-2 GH
✿"o belo": (A alta rotação que continua a soar no registo de Bernstein ao vivo, em 1980.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • Sinfonieorchester des Norddeutschen Rundfunks Hamburg
  • Günter Wand
  • RCA, RD 60094
✿"o belo": (O registo que demonstra o caracter do mestre alemão. Imperdível.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • London Philharmonic Orchestra
  • Klaus Tennstedt
  • EMI, CDC 7 47459 2
✿"o belo": (O carácter e precisão de Tennstedt numa interpretação inteligente do
                ppp ao fff onde a suavidade e a poesia são características dominantes.
                Uma excelente escolha.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • Royal Concertgebouw Orchestra
  • Wolfgang Sawallisch
  • EMI, CDC 7 54504 2
✿"o belo": (Som acolhedor e interpretação personalizada, com pianíssimos
                deslumbrantes e dinâmicas bem visíveis. Excelente opção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • London Symphony Orchestra
  • Bernard Haitink
  • LSO Live, LSO0082
✿"o belo": (Registo ao vivo, sonoridade rica e performance refinada. Aqui existe alegria,
                mas também um embalo aconchegante. Definitivamente a considerar.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • The Academy of Ancient Music
  • Christopher Hogwood
  • L'Oiseau-Lyre, 421 416-2 OH
✿"o belo": (Uma interpretação fresca que nos é oferecida com instrumentos de época
                pela dupla pioneira Hogwood e AAM. Uma escolha de qualidade.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube]






  • Tonhalle Orchestra Zurich
  • David Zinman
  • Arte Nova, 74321 49695 2
✿"o belo": (A famosa gravação com a nova Edição Bärenreiter de Jonathan del Mar.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III-IV] [youtube], [V] [youtube]




  

   
✰ Outras sugestões:
  • Pablo Casals/Marlboro Festival Orchestra/Sony, SMK 45891 (A espontaneidade de um grande músico que fica para a história.), [I-V] [youtube]














∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞






Ludwig van Beethoven [Viena, 1808]




∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞


  

"A Rosa do presépio" 



 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

sábado, 12 de dezembro de 2020


44. Grieg: Peer Gynt |

A música do "Peer Gynt" de Edvard Grieg, para a história que Henrik Ibsen não seria capaz de curar.






Para os meus familiares da pequena aldeia de Candam, que me embalaram a infância do Souto Rio ao Casarão. Os melhores amanheceres de criança vivi-os ali, naquele presépio, junto deles.


(E à memória de uma noite em Paris, no Théâtre du Châtelet, na companhia de Grieg e do seu Peer Gynt, juntamente com Järvi e a Orquestra Nacional de França [em 03-04-2014])






A música de Edvard Grieg (1843-1907) ressoa até aos nossos dias por uma simples razão: ela reflecte as suas raízes Norueguesas e, por esse motivo, é a voz desse país no mundo, uma voz que todos nós provavelmente escutámos alguma vez ao longo da vida, uma voz que foi possível soar porque em 1874, um governo iluminado de um país não menos luminoso, atribuiria a um jovem na casa dos trinta anos uma remuneração anual de 1600 kroner, oferecendo-lhe, deste modo, a liberdade necessária para a dedicação exclusiva à composição... daquela voz. Ecos de uma decisão que ainda hoje nos continuam a chegar.
O seu talento para a música cedo seria reconhecido pela sua cidade natal de Bergen, levando-o mais tarde, aos quinze anos de idade, a prosseguir os seus estudos na Alemanha, no Conservatório de Leipzig, instituição que segundo Edvard não lhe teria trazido o entendimento que esperava da orquestra, levando-o mesmo a enterrar uma primeira sinfonia que teria escrito em 1864 (obra entretanto exumada, com cautelosa descrição, no início da década de 1980).
Edvard, entretanto, viajaria para Roma em Março de 1866, e seria no Clube Escandinavo dessa cidade que viria a conhecer Henrik Ibsen (1828-1906), o maior dramaturgo norueguês daquela época, e, também, alguém de quem nunca viria a ser próximo, apesar da forte relação de trabalho decorrente da criação da música de cena para a sua peça Peer Gynt, que viria a acontecer mais tarde. Na realidade, nenhum dos dois parecia inteiramente feliz com esse casamento artístico (ou com essa aventura de uma noite só, como se viria a verificar...), entre o tímido e amável jovem Edvard e o desesperado e pouco musical Henrik, como aliás poderá ser atestado, em 1896, numa troca de palavras entre Ibsen e August Lindberg, o actor e director teatral sueco, que estaria a pensar encomendar a Grieg a música para uma produção de Brand (drama também de Ibsen).
Ibsen: - Porquê Grieg?
Lindberg: - Ora, ele escreveu a música para Peer Gynt...
Ibsen: - Oh, e tu pensas que isso é bom, não é?
Revelações que nem trinta anos teriam conseguido curar...
Se porventura não era abissal aquilo que os separava (ou não alcançasse a música para a Morte de Ase e para o No átrio do Rei da Montanha, de Edvard, o patamar poético e fantasioso do texto de Henrik), já a lacuna entre a suavidade e a doçura do som, e a imoralidade e a pobre condição de vida da cena, seria o que certamente os viria a divorciar (ou, no mínimo, a provocar a saída prematura do leito amoroso antes do nascer do sol, prevenindo, de forma adequada, evitáveis olhares desajeitados e silêncios constrangedores posteriores...).
Peer Gynt, o poema dramático de Ibsen, parte conto popular, parte reflexão filosófica, parte sátira, parte comédia (parte...), escrito um ano após o seu encontro, em 1867, viria a preceder as suas obras realistas "O pato selvagem" e "Casa de bonecas". O protagonismo é-nos apresentado por uma figura complexa (surreal... ismo a espreitar...), o camponês Peer Gynt, consumido pela ambição de poder e riqueza, um sonho que quase o viria a destruir não fosse a redenção obtida através do amor e do carácter firme de Solveig, a sua verdadeira (e paciente...) cara metade.
Ibsen não teria, por aquela altura, a intenção de levar à cena o seu Peer Gynt, no entanto, em 1874 e quando a sua obra já se encontrava na terceira edição, decidiu adaptá-la ao teatro, tendo-se lembrado de Grieg, o mais conceituado compositor norueguês, quando os seus pensamentos lhe sugeriram a ideia de utilizar um extenso acompanhamento musical, pelo que o viria a convidar em Janeiro desse ano, descrevendo-lhe com "rigoroso detalhe" as suas pretensões musicais para a peça.
Grieg aceitou a enorme tarefa que teria pela frente, tarefa que seria testemunhada por Frants Beyer, o seu amigo mais próximo, e por outro grande dramaturgo norueguês daquela época, Björnstjerne Björnson, a quem teria inclusive desabafado, de que Peer Gynt seria: "Uma história pouco musical e o início de um pesadelo". 
Contudo o pesadelo lá começou e se desenvolveu, tendo o produto final sido levado à cena pela primeira vez a 24 de Fevereiro de 1876, em Oslo, sem as presenças expectáveis de Ibsen (ausente do país...) e de Grieg (sossegado na sua cidade de Bergen...), tendo atingido de imediato o enorme sucesso comprovado pelas trinta e sete apresentações que lhe seguiriam, até ao incêndio, que viria a destruir os cenários e o guarda-roupa, que lhe pôs fim (o surreal que espreita, às vezes, na vida real...).
Este grande sucesso tomariam o escritor e o compositor de surpresa, visto que nenhum deles esperaria que a peça fosse também apreciada fora da Noruega, o que sucedeu. Na realidade, a partitura de Grieg seria bem mais ambiciosa do que tradicionalmente se acreditaria, apresentando, nada mais nada menos, que trinta e dois números musicais com cerca de noventa minutos de duração, aos quais seriam ainda acrescentados mais alguns após as revisões realizadas mais tarde, durante as apresentações em Copenhaga, em 1886, e, novamente em Oslo, em 1892. 
Já em 1886, Peters, a sua editora de Leipzig, escrever-lhe-ia, oferecendo-se para publicar toda a música de cena, proposta à qual Grieg responderia com a sua intenção de orquestrar uma suite para uso em programas de concerto, escapando, assim, ao "rigoroso detalhe" de uma orquestra de fosso desnutrida, para aplicar os ensinamentos de Leipzig, entretanto amadurecidos, a uma sala de concertos e usufruir, simultaneamente, dos aplausos da sua audiência e dos cheques (mates...) do seu editor (...isolando cada vez mais o "Rei" Ibsen). O resultado terão sido as suas duas Suites de Peer Gynt, a nº 1, op. 46, de 1888, e a nº 2, op. 55, de 1892, obras de enorme popularidade que terão sido interpretadas exaustivamente durante a vida do compositor, obrigando-o, inclusivamente, a programá-las em praticamente todas as apresentações que fazia como maestro fora do seu país. Um preço da fama relativamente fácil de pagar, neste caso.
Cada uma destas suites seria composta por quatro quadros. A primeira suite iniciar-se-ia com o famosíssimo Amanhecer [I], o prelúdio do 4º acto de Peer Gynt, que viria a ser provavelmente a peça de música mais conhecida que viria a escrever. A melodia tenta descrever o nascer do sol (...na fresca Escandinávia?) no quente Norte de África (...pois, não!), local onde Peer (...um rapaz da montanha?), apresentado como um capitalista oportunista de meia-idade (...e não, outra vez!), se encontraria e onde a maior parte deste acto é passado. A Morte de Ase [II], o segundo quadro, chegar-nos-ia no final do 3º acto, no momento em que a mãe de Peer, Ase, se encontra à beira da morte, numa situação de extrema pobreza, que é sentida através de uma cabana ausente de todos os seus pertences. No terceiro quadro, Dança de Anitra [III], encontraríamos Peer entretido pelo Chefe Beduíno, sucumbindo ao encanto das suas dançarinas, em particular à filha do Chefe, Anitra, que dançaria para ele de forma sedutora (um flirt que seguramente viria a tornar a sua aventura africana muito mais agradável... embora se admita que Solveig possa porventura discordar...). Esta suite concluir-se-ia com No Átrio do Rei da Montanha [IV], o quarto quadro que conta o confronto de Peer com o Rei dos Trolls, rodeado de trolls e duendes no alto das montanhas norueguesas. Ainda sobre esta música, tornar-se-ia célebre a frase que Grieg viria a escrever ao seu grande amigo Beyer, enquanto trabalhava na partitura, em 1874: "Escrevi alguma coisa para o átrio do rei da montanha que cheira muito a bosta de vaca, ultra-Norueguismo e autossatisfação, que eu literalmente não aguento ouvir". O que Edvard não aguentaria ouvir, muitos outros adorariam escutar, um grupo extenso, seguramente, e onde, como poderão compreender, me incluo eu.
Já para a segunda suite, Grieg viria a utilizar a música que abre o 2º acto, o Rapto e lamento de Ingrid [V], uma cena que retrata o rapto de uma noiva durante a boda, um acto perpetrado por Peer, de carácter aparentemente mais latino que nórdico (... o do vinho e das mulheres, que ainda é recordado às vezes... quando a vantagem é escassa), jovem de quem se viria rapidamente a cansar, deixando-a logo de seguida... pelo que se supõe que o seu lamento tenha vindo daí. Seguir-se-iam a Dança Árabe [VI] que precederia a Dança de Anitra do 4º acto, o Retorno de Peer Gynt a casa [VII], o prelúdio do 5º acto que descreve, entre outros, uma tempestade marítima à qual Peer sobreviveria, e a Canção de Solveig [VIII] final, onde Solveig nos conta (pacientemente...) a sua esperança no regresso de Peer (passadas as suas "aventuras"...), trazendo de novo a acção para a Noruega no final do 4º acto.
Peer Gynt atrairia, ainda, o agrado inesperado do famoso crítico vienense, Eduard Hanslick, que em 1891 viria a afirmar com elevada convicção: "Porventura daqui a alguns anos, o Peer Gynt de Ibsen viverá apenas através da música de Grieg". Touché... neste caso! Com efeito, o crítico teria aqui a razão que, por outro lado, lhe viria a faltar sobre a longevidade da música de Bruckner, pois ninguém é perfeito, e muito menos Hanslick, a quem dificilmente consigo perdoar alguns comportamentos em desfavor do mestre de Linz, um mago do transcendental e do espiritual, e, por esse motivo, porventura algo do surreal também.
Ao sentimento de Hanslick, de 1891, seguir-se-ia o de Ibsen, em 1892, com a admissão de que o sucesso da sua peça se devia em grande parte à música de Grieg (finalmente...), palavras seguramente difíceis de proferir por aquela altura, atendendo às futuras "revelações que nem trinta anos teriam conseguido curar"... aquela dor residual... provocada, quem sabe, pela audácia e sucesso de um "Cavaleiro" chamado Edvard Grieg!?

Nuno Oliveira





"Peer Gynt", música de cena op. 23 e suites p/ orquestra op. 46 e op. 55


✨ Extractos que proponho para audição:
  • Berliner Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 410 026-2 GH (suites)
✿"o belo": toda a obra (Atmosfera impressionante e empenho total, com os músicos de
                Berlim e von Karajan no seu melhor. Simplesmente a não perder!), com alguns
                destaques, identificados a seguir;
                [I]: madeiras e tutti, aos 0:00-1:15 (Este é "o belo" legado da humanidade!) [youtube]
                [II]: cordas, aos 0:00-2:20 ("o belo" na morte, segundo as cordas friccionadas!) [youtube]
                [III]: tutti (Brincadeiras ou sedução? Talvez sim... Talvez não...) [youtube]
                [IV]: tutti, aos 0:00-2:05 (Não cheira nada mal e cai muito bem no ouvido...) [youtube]
                [V]: tutti, aos 0:26-3:20 (A tristeza profunda e o abandono que também podem ser 
                "o belo"...) [youtube]
                [VI]: tutti, aos 1:28-3:12 (...Brincadeiras ou sedução? Talvez a preparação...) [youtube]
                [VII]: tutti, aos 0:00-2:53 (Allegro agitato de perigos, até à...) [youtube]
                [VIII]: tutti, aos 0:41-2:53 (...virtude que é ser paciente e perdoar...) [youtube]






  • Barbara Bonney, Marianne Eklöf, Urban Malmberg, Carl Holmgren, outros
  • Göteborgs Symfonyker
  • Neeme Järvi
  • Deutsche Grammophon, 427 325-2 GH (música de cena)
✿"o belo": (Interpretação de excepção, viva e vibrante. Sala quente em Gotemburgo e o
                coração cheio dos solistas e do mestre Järvi, um especialista desta obra.)
                [Completo] [youtube]
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]






  • Ilse Hollweg
  • Royal Philharmonic Orchestra
  • Thomas Beecham
  • EMI, 5 66914 2 CDM (música de cena)
✿"o belo": (Um registo de referência e uma experiência gratificante sobre o que é a
                música dirigida pelo aclamado mestre inglês. A não perder.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]






  • City of Birmingham Symphony Orchestra
  • Sakari Oramo
  • Erato, 8573-82917-2 (suites)
✿"o belo": (Performance magistral, o detalhe e expressividade de referência por
                interpretes comprometidos com a obra e com a visão esculpida de quem
                conviveu com esta música desde sempre: Sakari Oramo.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]






  • Elly Ameling
  • San Francisco Symphony
  • Edo de Waart
  • Philips, 411 038-2 PH (música de cena)
✿"o belo": (Interpretação bem conseguida onde se destacam a maravilhosa voz de
                 Ameling e a cumplicidade entre os músicos da costa do pacífico e o mestre
                holandês. Uma excelente escolha.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]






  • San Francisco Symphony
  • Herbert Blomstedt
  • London, 425 857-2 LH (suites)
✿"o belo": (Interpretação admirável pelos músicos norte-americanos e o mestre Blomstedt.
                As sonoridades cheias do Davies Hall de São Francisco, para ouvir com atenção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]






  • Lucia Popp
  • Academy of St. Martin-in-the-Fields
  • Neville Marriner
  • EMI, CDC 7 470032 (música de cena)
✿"o belo": (Som orquestral e coral bem captado. Popp sumptuosa e o conhecimento
                da obra pelo mestre Marriner numa opção a ter em conta também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube], [V] [youtube],
                [VI] [youtube], [VII] [youtube], [VIII] [youtube]





  
   
✰ Outras sugestões:
  • Vernon Handley/Ulster Orchestra/Chandos, CHAN 8524 (suite nº 1) (Um agrupamento de grande qualidade dirigido com a maestria a que Vernon Handley nos habituou.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube] 










∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞






Edvard Grieg [Bergen, ca. 1900]




∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞


  
"A embalar o Candam" 




 No Théâtre du Châtelet... com Grieg [Paris, 2014]


 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

domingo, 29 de novembro de 2020

 

43. Sibelius: sinfonia nº 2 |

A Sinfonia nº 2 de Jean Sibelius e as transparências de um Inverno consolado pela Riviera Italiana.






Para o Conservatório de Música de Seia, "Collegium Musicum", um lugar morno no meio do frio da Serra da Estrela e do interior de cada um.






Quando pensamos em Jean Sibelius dificilmente conseguimos dissociar o homem das sete sinfonias que escreveu ao longo dos seus noventa e dois anos de vida, um extraordinário legado que, de forma mais ou menos evidente, nos descreveria o percurso terrestre deste génio nascido nas terras agrestes e geladas de Hämeenlinna, no Norte da Finlândia, a 8 de Dezembro de 1865. "The winter has come", de facto nesse dia...
Na realidade, seria esta produção sinfónica que o levaria a alcançar a fama e a reputação internacional, iniciada, porventura de forma mais clara, a partir da sua segunda sinfonia, uma obra que viria a gozar de um sucesso sem precedentes na sua Finlândia natal, levando-o simultaneamente a conquistar a Alemanha, uma realidade que todos os compositores escandinavos ambicionariam naquela época mas que poucos atingiriam (Nielsen, por exemplo, seria um dos que nunca obteria o reconhecimento germânico).
Como jovem estudante de música, Jean viria não só a mergulhar na tradição sinfónica vienense de Haydn a Bruckner, como também na variante russa de um romantismo espelhado em Tchaikovsky, dois pontos de partida para chegar à construção de um nacionalismo finlandês... e, seguramente, à descoberta do seu próprio estilo também, uma voz que se começara tenuemente a escutar em 1899 com a sua primeira sinfonia, reaparecendo de forma mais sonora em 1902 com a sua segunda, numa tentativa que já refletiria a procura e exploração de uma estrutura para lá dos limites da tradição.
Após uma apresentação da sua segunda sinfonia nesse ano, em Estocolmo, o seu amigo e também ele compositor, Wilhelm Stenhammar, viria a escrever-lhe: "Tu és uma pessoa maravilhosa; alcançaste as maiores profundezas do inconsciente e do inefável, e trouxeste algo de milagroso". Estas declarações retratariam, porventura de forma mais verdadeira, o estado de espírito do autor no momento da criação da obra, numa época onde a crítica e o público se encontrariam determinados a evocar esta música (uma "Sinfonia da Libertação", para alguns formadores de opinião) nas referências às lutas e aos triunfos do nacionalismo finlandês frente ao domínio russo dos Czares Romavov, que já aconteceria desde 1808, intenção que Sibelius, apesar de ser um bom patriota, sempre rejeitaria.
Com efeito, a sua Sinfonia nº 2, em ré maior, op. 43, seria esboçada durante a visita que o compositor viria a fazer com a esposa e as duas filhas a Itália, entre o Inverno de 1900 e o início da Primavera de 1901, numa altura em que algumas dúvidas se colocariam a respeito de um casamento, que, por aqueles dias, sobreviveria debaixo de algum stress provocado pela morte da sua filha mais nova, Kristi, em Fevereiro de 1900, aos dois anos de idade (...stress que supostamente viria a diminuir com a chegada de alguma ternura, aos quarenta, juntamente com mais três filhas... pelo que é possível assumir-se com relativa assertividade, de que deveria fazer mesmo muito frio nas margens do Lago Tuusula para que ninguém se atrevesse a sair da casa de Ainola...). No entanto, quaisquer que tivessem sido as aparentes tensões emocionais transparecidas no lento segundo andamento, ou o alegado italianismo espelhado no calor sonoro compreensível em outros determinados momentos, esta obra viria a impressionar não só pela firme utilização dos princípios clássicos por debaixo de uma superfície romântica, mas também pela originalidade com que Sibelius começava a modificar esses mesmos princípios em seu favor, de forma a alcançar os seus propósitos, uma transformação eventualmente mais lenta e menos violenta do que a que estaria a acontecer naquela década, na cosmopolita Paris de Stravinsky e Debussy.    
Importa também acrescentar, que esta viagem a Itália teria sido sugerida pelo seu amigo e músico amador, Axel Carpelan, pessoa que teria inclusive angariado o dinheiro que permitiria a Sibelius renunciar ao seu trabalho no Conservatório de Helsínquia para se dedicar de forma exclusiva à composição desta obra, numa atitude que reflete o nível de solidariedade artística do povo Nórdico, que se prova ser altíssimo, e a realidade cultural de um país que, com pouco mais de cinco milhões de habitantes, apresenta variados agrupamentos sinfónicos e correspondentes direcções de elevado prestígio internacional, em binómios do tipo: Helsínquia e Susanna Mälkki, Rádio Finlandesa e Sakari Oramo, Lahti e Okko Kamu, Tampere e Hannu Lintu, Tapiola e Osmo Vänskä, Turku e Leif Segerstam, só para citar alguns... (...já neste país, cheio de sol, dominam outros exemplos razoavelmente menos capazes... o que me leva a acreditar que seriamos seguramente mais felizes se um pouco mais da riqueza que produzimos fosse destinada à actividade artística, tudo isso conseguido pelo emprego de mais alguns tostões, que poderiam admissivelmente vir redirecionados de alguns mal empregados milhões... só faltaria dar-mos Graças a quem lutasse por isso... A isso digo: "- Presente!"; e faço: a doação anual da correspondente verba tributada, que tenho atribuído à nossa JOP, que bem merece, nos últimos anos).
Após o regresso à fria Finlândia, Sibelius continuaria a trabalhar nesta sua segunda sinfonia, uma música que continuaria a apresentar algum caracter solarengo, próprio do ambiente mediterrânico, tendo concluído a redacção dos seus quatro andamentos em Novembro de 1901, páginas que contudo seriam revistas de forma intensiva até à sua forma final, que chegaria no início de 1902.
A estreia viria a acontecer a 8 de Março de 1902, em Helsínquia, com a direcção do compositor, um sucesso instantâneo que seria adoptado, em poucos meses, por alguns dos maestros mais influentes daquela altura, como o foram Hans Richter, Felix Weingartner ou Arturo Toscanini.
Esta obra apresentaria os quatro andamentos tradicionais. No primeiro andamento [1], podemos constatar a excentricidade do material temático que é proposto de forma deliberadamente abrupta e fragmentada, até ao momento em que as variadas ideias musicais são apresentadas juntas, mesmo misturadas em alguns momentos, criando assim uma inesperada rectrospectiva na parte final do andamento, que daria a sensação de continuidade estrutural para o resto da obra. Tudo isto inusualmente balanceado e, no entanto, imediatamente compreensível, genial e perfeito! Já o segundo andamento [2] dificilmente poderia contrastar mais, com o seu caracter bucólico introduzido ao início, desenvolvendo-se, depois, da escuridão original para uma espécie de drama de confrontação introspectiva, e culminando, a seguir, num dos maiores gestos físicos que Sibelius transcreveria na sua música. Os esboços deste andamento sugeririam, ainda, alguns pensamentos lúgubres que o autor tivera com um "D. Juan" e um "Convidado de Pedra" (que simbolizaria a morte), que o inspirariam para o tema principal, e outros, aparentemente mais luminosos, com "Cristo", que estariam na génese do belíssimo tema lento das cordas, em forma de consolação divina (bem precisa por aqueles dias). Seguir-se-ia o terceiro andamento [3], um Scherzo com um ritmo demoníaco (...a fazer lembrar outros do casto Bruckner) e um plácido Trio inspirados nos compassos iniciais da sinfonia, até que surge o tema que ligaria este andamento ao Finale [4], numa transição ininterrupta (como que em homenagem a Beethoven e Schumann) e em majestosa procissão até à apoteose final, música que segundo o seu biografo, Eric Tawaststjerna, teria sido inspirada durante a celebração de um baptismo que Sibelius teria acompanhado ao piano, em 1899. Revelador...
Sibelius descreveria a sua aproximação à escrita sinfónica como aquela em que Deus, do alto dos céus, atiraria para a Terra as peças de um mosaico ou de um quebra-cabeças celestial, que teriam de ser colocadas correctamente outra vez. E num dia frio de Dezembro apareceu Jean, um menino que formava os puzzles nas estrelas, sem deixar que as peças caíssem no chão...     
      
Nuno Oliveira      




"Sinfonia nº 2, em ré maior, op. 43"


✨ Extractos que proponho para audição: (nota: ver também publicações nº 27 e 63)
  • London Symphony Orchestra
  • Colin Davis
  • RCA, 09026 68218 2
✿"o belo": toda a obra (Afinidade completa e entendimento absoluto da obra, numa versão
                grandiosa e pura de espírito do mestre inglês, a referência da interpretação da 
                música de Sibelius dos nossos dias!), com alguns destaques, identificados a seguir;
                [I]: tutti, madeiras e trompa, aos 0:00-1:00 (... na mais pura magia!) [youtube]
                [II]: tutti, aos 4:43-5:20 (..."a bela" Kristi...) [youtube]
                [III]: musica de câmara, aos 1:43-3:00 (...ciprestes e restante flora nórdica.) [youtube]
                [IV]: tutti, aos 0:57-2:38 e 13:42-14:45 (Arrebatador, luminoso... e inspiração para
                canções famosas... até ao apoteótico final!) [youtube]






  • City of Birmingham Symphony Orchestra
  • Simon Rattle
  • EMI, CDC 7 47222 2
✿"o belo": (Interpretação entusiástica e fervorosa, Birmingham strings e Rattle no seu melhor.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Philharmonia Orchestra
  • Vladimir Ashkenazy
  • Decca, 455 402-2 DF2
✿"o belo": (Aqui o calor humano prevalece sobre o ambiente gélido que imaginamos.
                Um registo de referência que deve estar presente nas melhores colecções.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Oslo Philharmonic Orchestra
  • Mariss Jansons
  • EMI, CDC 7 54804 2
✿"o belo": (Um registo intenso e excitante da orquestra escandinava, nobremente
                dirigida pelo mestre Jansons. Uma escolha de excelência a não perder.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Berliner Philharmoniker
  • James Levine
  • Deutsche Grammophon, 437 828-2 GH
✿"o belo": (Sonoridade exuberante gravada ao vivo em Berlim. Interpretação que
                privilegia a excitação à majestosidade, com velocidades elevadas e tuttis
                escaldantes. Uma escolha diferente, mas de grande qualidade.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Boston Symphony Orchestra
  • Vladimir Ashkenazy
  • Decca, 436 566-2 DH2
✿"o belo": (Interpretação polida, num caminho percorrido ao vivo pelos músicos Norte
                Americanos, junto do mestre de referência neste reportório que é Ashkenazy.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Leonard Bernstein
  • Deutsche Grammophon, 419 772-2 GH
✿"o belo": (O famoso registo ao vivo por Bernstein, no Musikverein de Viena em 1986.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






    
✰ Outras sugestões:
  • Zubin Mehta/New York Philharmonic Orchestra/Teldec, 2292-46317-2 (A qualidade da NYPO sob a liderança do mito que é Mehta.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III-IV] [youtube]






∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞






Jean Sibelius [Helsínquia, 1900]




∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞



  
"Um lugar morno..." (Dezembro, 2015) 



 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------