sábado, 4 de junho de 2022


70. Mendelssohn: sinfonia nº 4, "Italiana" |


Mendelssohn e a "Italiana" do seu descontentamento... além da recordação de um lugar que se escuta, aquém do âmago de uma terra que se sente.






E para o Joca não vai nada, nada, nada?
Vai...! Uma "Italiana"!?

"7A! Uiiiiiiiii que bom!".






O interesse pela grande música ter-me-á surgido na adolescência (lembro-me de adormecer incontáveis noites com os auscultadores gigantescos nas orelhas ao som dos LPs da Classical Experience) e, com ele, o fascínio pela obra do fenómeno alemão chamado Felix Mendelssohn (1809-1847). À semelhança de um outro fenómeno de adoração universal chamado Wolfgang Amadeus Mozart, o nosso Felix estaria, também ele, destinado à grandiosidade desde tenra idade. Antes dos catorze anos ele não só já se revelaria um compositor talentoso, com uma cantata e duas operetas no portfólio, e um pianista instintivo capaz de tocar de memória todas as sinfonias de Beethoven (desde os oito!) e o "Cravo bem temperado" de Bach, como ainda dominava vários dialectos e era também admirado pelas suas aguarelas. É claro que detrás do destino de grandiosidade do filho estariam seguramente os seus abastados pais, também eles destinados à fundamental tarefa de providenciar as necessárias experiências a viver e o obrigatório caminho a percorrer para se alcançar tal destino (...que um dia se confundiria com Itália... Vida de maravilha!). A mãe, Lea, proporcionar-lhe-ia o contacto com Goethe, Hegel e muitos outros artistas e pensadores do seu tempo, enquanto que o pai, Abraham, decidiria que uma vasta viagem pela Europa lhe abriria horizontes, pelo que, pouco tempo depois de completar vinte anos de idade, iniciaria uma jornada que lhe viria a ocupar grande parte dos cinco anos seguintes e a providenciar uma considerável fonte de inspiração. 
"Por fim Itália!", exclamaria Felix numa carta enviada à família em 1830, após ter partido em Outubro desse ano para "A terra onde os limoeiros florescem", o lugar do poema do seu estimado Goethe e um dos destinos mais apetecidos dos deambulantes daquela época (Um apetite que no meu caso continua por saciar, embora já lhe tenha tomado o gosto com uma entrada à muitos anos atrás. A fome pelo prato principal, essa, porém, permanece pela falta do necessário "tempo" que este rectângulo a oeste nos permite adquirir... honestamente.). Como um turista fascinado por tudo o que observa, Felix repetiria os passos românticos da "Viagem a Itália" de Goethe, percorrendo aquele país de Norte a Sul, desde Milão até Sorrento, visitando Veneza e os seus canais, depois Bolonha e Florença com os seus palácios, até chegar a Roma, cidade onde passaria vários meses a descobrir Rafael e a viver o peso da história durante uma Semana Santa sumptuosa após a coroação do Papa Gregório XVI, testemunhando com detalhe as cerimónias religiosas e a música utilizada nas celebrações. Passaria depois o mês de Abril em Nápoles antes de retornar à Alemanha em Julho de 1831, via Suíça, permanecendo ainda em Génova e Milão antes disso. A partir de Nápoles escreveria: "Esta é outra terra, e cada planta e arbusto recorda-nos disso". Com efeito, Felix ficaria enfeitiçado pela vista desde a baía de Nápoles até Capri e Ischia, um olhar que registaria a carvão no seu caderno de esboços, pelo cheiro das acácias e das árvores de fruto, pelos passeios por caminhos empedrados e pelo pulsar da vida Napolitana.
Assim, não seria de estranhar que o natural surto criativo promovido pelas inúmeras fontes de inspiração disponíveis (italianas, recordo), levassem Mendelssohn a trabalhar a partir de Itália naquela que viria a ser a sua Sinfonia nº 4, em lá maior, op. 90, "Italiana". Para além disso, será porventura interessante referir também, que o compositor trataria presumivelmente da sua "Escocesa" (terceira sinfonia, op. 56) e "Italiana" ao mesmo tempo (seguramente uma carga de trabalhos para os mais inexperientes), não nos surpreendendo, por isso, algumas semelhanças entre as duas peças, como são exemplos as tonalidades (não confundir com tons de pele) e os ritmos (não confundir com movimentos corporais) escolhidos. Esta suposição faria sentido pela carta que escreveria a 20 de Dezembro de 1830 a partir de Roma, referindo a pretensão de "escrever várias coisas para piano e possivelmente uma sinfonia de alguma espécie, que tenho duas que me andam a perseguir o cérebro" (pode perfeitamente acontecer...), sendo que, e apesar da incoerência do número de opus no catálogo, seria todavia a Italiana a primeira das duas a ficar resolvida, o que aconteceria a 13 de Março de 1833, num bom exemplo de preferência das silhuetas mediterrânicas aos contornos das terras altas.
Na realidade, Mendelssohn receberia, em Novembro de 1832, uma encomenda da Sociedade Filarmónica de Londres para escrever algumas peças para a temporada de 1833, entre elas uma sinfonia, pelo que esta obra viria a ser estreada pelo próprio compositor e a Orquestra Filarmónica a 13 de Maio desse ano, no Hanover Square Rooms de Londres, com tremendo sucesso.
A verdade, porém, é que apesar da aparente espontaneidade, esta sinfonia teria causado múltiplos problemas e dado muito trabalho ao compositor até que fosse considerada satisfatória e se materializasse na obra que chegaria a descrever à sua irmã Fanny como: "a peça mais alegre que compus até agora". Ao que parece, e embora fosse considerada satisfatória para a apresentação londrina, esta ainda não seria, contudo, perfeita ao olhar de Felix Mendelssohn, um facto porventura incompreensível aos ouvidos do comum espectador atendendo à excelente qualidade da música. Aparentemente faltaria algum polimento a uma obra repleta de brilho, sol mediterrânico e energia sem fronteiras (para lá deste mar, pelo menos... até chegar a um outro, o do Norte Escocês), justificação que levaria o compositor a revisões constantes a partir de 1834, mas que em nada melhorariam a obra. Essa é pelo menos a sensação com que fico, que acredito ser admissível se tomarmos em conta o registo de John Eliot Gardiner referido em baixo, onde, neste caso, o colorido do olhar original é de facto superior à cópia registada a preto e branco no caderno de esboços. As dúvidas artísticas de Mendelssohn fariam ainda com que adiasse sucessivamente a publicação da obra e não permitisse a sua apresentação na Alemanha durante o seu tempo de vida, levando o público alemão a conhecer esta sinfonia apenas em 1851, quatro anos depois da sua morte, e após a publicação levada a cabo pelo pianista e maestro Ignaz Moscheles, que lhe atribuiria o consequente op. 90 final.
Felix Mendelssohn talharia os quatro andamentos da sua Sinfonia "Italiana" com o mesmo pensamento com que escreveria uma carta para os pais em Janeiro de 1831: "Porque é que a Itália continua a insistir em ser o país das artes, quando na realidade é o país da natureza que delicia todos os corações!". Esta Itália reconhecer-se-ia logo aos primeiros compassos, com a explosão do calor e da azáfama mediterrânica no Alegro Vivace [I], seguido da procissão de Roma que inspiraria o Andante [II] e da graciosidade rural do Minueto (Con moto moderato) [III], até se chegar ao rápido e furioso Saltarello [IV] a fazer recordar a vitalidade Napolitana. 
Se para Felix o desenho era a resposta imediata à captação de uma cena (as suas ilustrações de Itália possuem uma simplicidade apelativa), já o "apanhar do momento" só poderia ser reflectido por palavras (as cartas que escreveria desde Itália formariam um documento de leitura obrigatória) ou pelos sons que a sua profissão lhe obrigaria a perseguir. A conciliação de uma resposta romântica a um balanço de forma clássico constituiria a dureza do seu labor e o principal motivo de descontentamento pessoal... e esta Italiana mostrar-se-ia bastante rija até se apresentar como uma das mais belas peças de música alguma vez escritas por um compositor cativado pelos sons e formas dela... d'"a bela" Itália, de língua dominada desde os catorze, de corpo envergonhado até ao último suspiro. 


Nuno Oliveira




"Sinfonia nº 4, em lá maior, op. 90, "Italiana""


✨ Extractos que proponho para audição: (ver também publicações nº 48, 50 e 82)
  • Berliner Philharmoniker
  • Claudio Abbado
  • Sony, SK 62600
✿"o belo": toda a obra, principalmente o primeiro e último andamentos (Um registo
                onde se destacam a excelência da orquestra alemã e a ligação à música do
                maestro italiano. Luminosidade individual e musicalidade colectiva dos músicos
                berlinenses desde o primeiro compasso. Interpretação superlativa do mestre
                Abbado. Uma proposta obrigatória!)
                    [I]: tutti, aos 0:00-1:12 e 2:51-4:01 (Onde é que eu já ouvi isto...?!); oboé, aos
                2:35-2:44 (Belcanto nas madeiras...) [youtube]
                [II]: tutti, aos 2:05-2:39 e 5:45-6:15 (Abbado!) [youtube]
                [III]: trompas, aos 2:20-3:09 e 3:31-3:57 (... e belcanto nos metais!) [youtube]
                [IV]: tutti, aos 2:30-3:13 (Reacção em cadeia!) [youtube]






  • London Symphony Orchestra
  • Claudio Abbado
  • Deutsche Grammophon, 415 974-2 GH
✿"o belo": (Considerado por muitos o registo de referência desta obra. Claudio Abbado
                 de novo, aqui acompanhado pela orquestra londrina, numa interpretação
                 dinâmica e expressiva. Sonoridade maravilhosa e a sensação dos pormenores
                 da música na ponta dos dedos. Imperdível.)
                 [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Gewandhausorchester Leipzig
  • Kurt Masur
  • Teldec, 8573-80970-2
✿"o belo": (O registo intemporal que só a autenticidade da orquestra de Mendelssohn
                 pode oferecer. Sonoridade atmosférica da Gewandhaus e interpretação
                 jovial e distinta do mestre Masur. Um ícone.)
                 [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Berliner Philharmoniker
  • James Levine
  • Deutsche Grammophon, 427 670-2 GH
✿"o belo": (A qualidade do conjunto berlinense e cumplicidade com o maestro norte-
                americano, num magnífico exemplo da sonoridade sumptuosa aliado à
                energia e graciosidade interpretativa. Uma aposta de excelência e uma
                escolha a não perder também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • London Classical Players
  • Roger Norrington
  • Virgin, 5 61735 2
✿"o belo": (Performance com instrumentos de época, fresca e exaltante. O brilhantismo
                dos intérpretes escuta-se e a alegria sente-se. Um registo incontornável para
                os entusiastas das interpretações historicamente informadas e uma fabulosa
                escolha também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • John Eliot Gardiner
  • Deutsche Grammophon, 459 156-2 GH
✿"o belo": (A visão clara do maestro inglês e a sonoridade acolhedora do Musikverein
                de Viena que se notam. A disponibilização da versão revista de 1834 apresenta
                um interesse histórico suplementar. Uma versão a descobrir e uma opção a ter
                em conta.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]
                Revisão 1834: [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Georg Solti
  • Deutsche Grammophon, 448 945-2 DH
✿"o belo": (A leveza e a frescura em destaque num registo ao vivo no Musikverein
                de Viena. Uma escolha de qualidade que deve ser considerada também.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • The Hanover Band
  • Roy Goodman
  • Nimbus, NI 1765-5526
✿"o belo": (Uma versão em instrumentos de época famosa nos anos 80. Agrupamento
                de excelência e interpretação esclarecida do mestre Goodman. Uma visão
                a conhecer.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






   
✰ Outras sugestões:
  • Charles Mackerras/Orchestra of the Age of Enlightenment/Virgin, VC 7 90725-2 (A proposta em instrumentos de época do mestre Mackerras a ter em conta.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Charles Munch/Boston Symphony Orchestra/RCA, 82876716162 (O registo pelo mítico maestro francês e a sua orquestra em 1958.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube] 






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Felix Mendelssohn [Leipzig, 1834]





Vista de Amalfi [aguarela de Felix Mendelssohn, 1831]



Vista de Florença [aguarela de Felix Mendelssohn, 1830]




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"Falta de pena no carro da "Porca"" [Coimbra, Queima das Fitas, Maio/1997]




"A outra música de Mendelssohn, Bruckner e Tchaikovsky" [Águeda, algures no pré-pandemia]



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domingo, 1 de maio de 2022


69. Bruckner: sinfonia nº 7 |


A Sinfonia nº 7 de Anton Bruckner; mais do que uma memória do ídolo, o reconhecimento do Pai.






Para a rapaziada da irmandade que era aquele "7A" dos anos 90.


Os meses de Queima (das Fitas) são propícios à recordação dos momentos lendários vividos pelo Miranda, juntamente com o Vinnie, o Fuji, o Náná, o Carlos, o Tony, o Freud, o Porkys, o Mário Rui, o Bruggie, o Paulo, o Nuno Pinto, e também o Joca e o Rui de Direito, e outros de que já não me lembro, não esquecendo a Dona Céu, e também a Dona Piedade (e respectiva família...).

Uns vinham do Norte, outros do Centro e outros do Sul, uns eram de Direito, outros de Letras, outros de Ciências e ainda outros de Farmácia, mas todos se juntavam ali, a viver aqueles anos de juventude plena, entre a obrigação diurna que era cortejada lá em cima, no Pátio das Escolas, e a tentação nocturna que era seduzida lá em baixo, na Praça da República.
Entre o Céu e o Inferno, ali ficava o nº 7A do Bairro Sousa Pinto, a fazer pender a balança do Purgatório coimbrão...

Não houvesse tudo isto, e só o nº da publicação já merecia um: "7A! Uiiiiiiiii que bom!".






Foi sempre claro para mim que ao propósito bloguístico de ligação da cifra 7A à genialidade de uma peça de música só poderia corresponder a 7ª do Anton, a mais melódica, ousada e majestosa sinfonia de Bruckner (1824-1896), possivelmente a sua obra mais popular e sem dúvida a minha preferida.   
Existem muitas histórias que ilustram a simplicidade infantil, rusticidade e falta de sofisticação de Anton Bruckner (numa bela ocasião teria dedicado uma sinfonia "Ao Senhor Deus" e após ter conhecido o seu ídolo Richard Wagner, ter-se-ia prostrado de joelhos a seus pés e declarado: "Mestre, eu venero-o!"), mas nenhuma será porventura mais reveladora do que a contada pelo maestro que viria a apresentar a sua Sinfonia nº 7 em Viena, o ilustre Hans Richter. O abastado maestro encontrava-se a preparar a estreia da quarta sinfonia do compositor em Fevereiro de 1881, e durante um dos ensaios o ingénuo sinfonista, visivelmente satisfeito com o trabalho realizado, ter-lhe-á dado 1 táler austríaco de gorjeta e proferido: "Tome lá e beba uma caneca de cerveja à minha saúde". A história bem que poderia acabar aqui, só que, na realidade, a parte para mim mais importante viria a seguir: o normalmente imperturbável Richter agradeceu a moeda e usou-a na sua corrente de relógio o resto da vida, chamando-lhe "a lembrança de um dia em que chorei". "o belo" que é quando o Romantismo se enche de Humanismo, não é.
Bruckner viria a escrever a sua sétima sinfonia entre 23 de Setembro de 1881 e 5 de Setembro de 1883, mas a estreia só aconteceria um ano depois. Antes disso, os seus alunos Joseph Schalk e Ferdinand Löwe fariam uma apresentação da obra para quem estivesse interessado, numa versão para dois pianos, na Bösendorfer Saal de Viena a 27 de Fevereiro de 1884. Já a esperada estreia aconteceria no Stadttheater de Leipzig a 30 de Dezembro de 1884, dirigida por um dos seus maiores defensores, o famoso jovem maestro, Artur Nikisch, com o extraordinário sucesso que os aplausos de mais de um quarto de hora faria supor, tornando-se no seu maior triunfo a partir daí. Seguir-se-iam apresentações em Munique, na Holanda e na América, até chegar finalmente a Viena e a Hans Richter.
A razão da escolha de Leipzig para a estreia em detrimento de Viena prender-se-ia com o receio pela possível hostilidade vienense liderada pelo crítico Hanslick e por Hugo Wolf. As más experiências passadas em Viena teriam motivado a preferência por uma cidade que o aceitaria melhor e um maestro que depois de ter visto a partitura da obra teria afirmado que "depois de Beethoven não haveria nada que se aproximasse". Quando posteriormente foi colocada a possibilidade de apresentação da obra em Viena, Bruckner teria inicialmente negado a iniciativa, alegando que "As razões têm exclusivamente a ver com a infeliz situação local no que diz respeito à influência dos críticos, o que apenas contribui para o crescimento da minha reputação na Alemanha". Mais tarde viria a ser persuadido a permitir a apresentação, e seria essa a ocasião que marcaria o momento do seu real reconhecimento nessa cidade, cuja aprovação teria a maior importância para ele. Hanslick teria continuado com os tradicionais julgamentos e afirmações sobre "tédio" e "superexcitação febril", mas Anton já teria sido chamado inúmeras vezes ao palco e saciado os seus instintos mais primitivos (e uma das suas imagens de marca) durante o jantar oficial oferecido em sua honra. Após uma vida de luta árdua, imaginem a satisfação trazida pelo reconhecimento de Hanslick sobre as repetidas ovações do público e o descobrir-se a si próprio uma celebridade aos sessenta anos de idade, quatro anos depois da estreia da sua quarta sinfonia, até aí o único vislumbre de aceitação e "inusual sucesso", como teria sido forçado a admitir o hostil Neue Freie Presse naquela altura. 
Bruckner viria a dedicar esta sinfonia (constituída pelos quatro andamentos habituais) ao Rei Ludwig II da Baviera, o protector de Wagner ou, como Anton gostava de chamar, do "ideal inalcançável e muito querido e imortal mestre dos mestres", uma admiração que seria recíproca, sendo conhecida a comparação de Bruckner a Beethoven que Wagner teria feito no último encontro entre os dois, ocorrido em Bayreuth em 1882, pela altura da estreia do Parsifal a 26 de Julho. Este último encontro e a intuição sobre a saúde frágil de Wagner teriam um profundo efeito em Bruckner, pelo que na viagem de regresso a Viena, finaliza o terceiro andamento (Scherzo) [3] e escreve a maior parte do primeiro, um Allegro moderato [1] com a mais longa melodia de um tema principal escrita pelo compositor e a fazer lembrar harmonicamente o início d'O Ouro de Reno do "mestre dos mestres"... se bem que Bruckner tivesse referido também que este tema, maravilhosamente apresentado pelas trompas e violoncelos (dupla de sonho!) e suportado por suaves trémulos nas cordas, lhe haveria aparecido num sonho protagonizado pelo seu amigo à muito falecido, Ignaz Dorn, à viola...
É razoável admitir que Bruckner terá pressentido no início de 1883 que o seu ídolo estaria perto da morte (Wagner encontrava-se seriamente doente em Veneza e viria a falecer a 13 de Fevereiro), mas no entanto permanece a dúvida sobre se o icónico Adagio (segundo andamento) [2] teria sido ou não concebido como uma elegia pela morte de Wagner. Embora o esboço deste andamento tivesse sido escrito a 22 de Janeiro, três semanas antes do falecimento de Wagner, a verdade é que Bruckner teria insistido através de uma carta ao seu aluno, o maestro Felix Mottl, de que a ideia de uma marcha fúnebre ter-lhe-ia chegado pouco tempo depois de ter recebido a notícia da saúde precária de Wagner ("Um dia cheguei a casa muito triste e pensei para comigo que era impossível que o mestre vivesse muito mais tempo. Foi quando o adagio em dó# menor me veio à cabeça"). Por outro lado, a ideia de inclusão de quatro tubas wagnerianas na partitura (utilizadas pela primeira vez numa sinfonia) ocorreria a Bruckner apenas mais tarde, assim como a pancada de pratos no clímax deste andamento (exactamente na letra "W" da partitura!) que o compositor teria alegadamente adicionado por sugestão de Nikisch, mas que todavia mais tarde não viria a aparecer no manuscrito original, pelo que, e independentemente da versão utilizada, a sua polémica aplicação prática tem vindo a ser decidida consoante o entendimento particular dos maestros, o que é razoável porque se fosse decidido pelas administrações seria porventura pior (no que me diz respeito, eu pessoalmente passo bem sem a pancada...). Ainda sobre este ponto de discórdia (o W...), o jovem Welser-Möst retém-na, por exemplo, enquanto o ancião Wand já não (para mais informações: WWW.pancadanospratosounaoeisaquestao... ou como diria um famoso da nossa praça, porventura parecido em sofisticação ao herói da nossa história: "peanners"). Ainda sobre este sublime Adagio, importa referir que Anton quis que as quatro tubas wagnerianas introduzissem o tema musical de modo "Muito solene e Muito lento" e que o lamento que se escuta recua a um motivo utilizado no "Non confundar in aeternum" ("Eu não me vou decepcionar para sempre") do Te Deum que teria começado a compor em 1881 (para o seu Deus), e que nos fala da tristeza que se sente com uma incomensurável perda... como se de uma "música fúnebre para o mestre" se tratasse. 
Já o Scherzo (3º andamento) [3] não poderia ser mais diferente. As suas formas desapaixonadas entre o murmúrio e a explosão são o retracto das palavras do compositor quando refere que a melodia de abertura no trompete lhe teria sido "inspirada pelo cantar do galo", um portentoso e confiante animal sem dúvida, atendendo ao intervalo sonoro que faria tremer instrumentistas menos preparados para o salto de oitava e promover nos ouvintes sentimentos de pena do si...
A obra terminaria com o Finale (4º andamento) [4] e com ele a compaixão solene escutada no primeiro andamento e a sua transformação em força e energia. Tudo acaba como começa afinal... e depois de toda a agitação, permanece o conforto do que foi sentido naquele sonho que Alguém uma vez ofereceu. 


Nuno Oliveira




"Sinfonia nº 7, em mi maior"


✨ Extractos que proponho para audição:
  • New York Philharmonic
  • Kurt Masur
  • Teldec, 4509-97437-2
✿"o belo": toda a obra (ed. Haas: Registo gravado ao vivo no Avery Fisher Hall em
                Setembro de 1991, no concerto de estreia do mestre Masur à frente da
                Filarmónica da Nova Iorque. Interpretação idiomática, repleta de tensão,
                sentimento e nobreza, com o vazio das inúmeras pausas a contribuir de forma
                reflectida... para nos tirar o fôlego. Se o objectivo era atingir a lenda, para mim
                conseguiram-no. Sublime e obrigatório!)
                    [Nota pessoal: este disco foi a banda sonora das inúmeras noites de preparação para os exames que
                    ocorreram naquele nº 7A, nos finais dos anos 90. Pode parecer estranho, mas a verdade é que ajudou.]  
                [I]: tutti, aos 0:00-2:21 (Nobreza musical para usufruto comum!); trompas, aos
                6:14-6:19 (As trompas que existem por aqui...); tutti, aos 11:00-11:50 (O mistério
                que só algum tipo de romantismo pode oferecer!); trompa e tutti, aos 12:19-13:23
                (Realeza musical? Sim, vou repetir!) [youtube]
                [II]: tubas wagnerianas e tutti, aos 0:00-2:42 ("o belo" numa das mais belas frases
                da história da música!); cordas e flauta, aos 4:07-5:48 (Um acompanhamento
                adequado para o estudo da "Termodinâmica"...); tutti, aos 12:21-13-24 (... e um
                acompanhamento adequado para o estudo da "Mecânica dos Fluidos".); tubas
                wagnerianas e metais, aos 17:27-18:26 (...a trabalhar de sol(o) a sol(i)!) [youtube]
                [III]: trompas e metais, aos 1:00-1:03, 3:22-3:25 e 9:26-9:29 (3'' a descer para
                subir o nível da performance!); tutti e flauta, aos 5:08-5:58 (Uma música de
                fundo adequada também para o estudo, neste caso de "Vibrações"...) [youtube]
                [IV]: metais, aos 3:13-4:03 e 6:45-7:42 (No Reino do metal!) [youtube]






  • Radio-Symphonie-Orchester Berlin
  • Riccardo Chailly
  • Decca, 414 290-2 DH
✿"o belo": (ed. Nowak: A primeira escolha de muitos Brucknerianos. Interpretação
                 comprometida dos músicos berlinenses e dirigida de forma magistral por
                 Chailly, que se afirmaria a partir daqui. Romantismo exacerbado e o som
                 sumptuoso da orquestra alemã a partir da Jesus-Christus Kirche. Um
                 registo de referência e imperdível.)
                 [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 429 226-2 GH
✿"o belo": (ed. Haas: Um extraordinário exemplo de registo icónico. Trata-se da
                última gravação do mítico mestre von Karajan, realizada em Abril de 1989
                no Muzikverein de Viena. O empenho e concentração dos músicos sente-se,
                a espiritualidade e intimismo do maestro vive-se, e o resultado é uma
                interpretação fluida e grandiosa. Uma escolha de excelência a não perder.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Berliner Philharmoniker
  • Herbert von Karajan
  • Deutsche Grammophon, 419 195-2 GH
✿"o belo": (versão original de 1881-1883: Á sonoridade mítica da orquestra alemã,
                exuberante nas cordas e brilhante nos metais, com destaque para as trompas
                wagnerianas, junta-se a visão precursora do mestre austríaco e ficamos com
                um registo tão sensível quanto poderoso. Os nascidos em 1975 só poderiam
                ser assim: recheados de emoções fortes. Uma maravilhosa opção.)
                [I-IV] [youtube]






  • Chicago Symphony Orchestra
  • Georg Solti
  • Decca, 417 631-2 DH
✿"o belo": (versão original de 1881-1883: Som espectacular e refinamento interpretativo
                habituais na dupla icónica CSO/Solti. O poder orquestral sente-se e a visão do
                mestre entende-se. Uma opção de qualidade para ouvir com atenção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
  • Günter Wand
  • RCA, GD 60082
✿"o belo": (versão original de 1881-1883: Os sentimentos e detalhes que só um sábio
                pode oferecer. Orquestra assertiva e em total consonância com a visão
                magnânima do mestre Wand. Uma fabulosa proposta, também a não perder.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • The London Philharmonic
  • Franz Welser-Möst
  • EMI, CDC 7 54434 2
✿"o belo": (ed. Nowak: Registo ao vivo a partir do ambiente acolhedor dos Proms
                de 1991. Músicos concentrados na visão do mestre austríaco e o lirismo
                em destaque numa opção a ter em conta.)
                [I-IV] [allmusic]






  • Berliner Philharmoniker
  • Daniel Barenboim
  • Teldec, 9031-77118-2
✿"o belo": (versão original de 1881-1883: Uma interpretação onde se privilegiam
                sentimentos delicados, acentuados pela sonoridade sumptuosa das cordas
                berlinenses. A poesia da primeira metade sobrepõe-se à intensidade da
                segunda. Opção de qualidade.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • Wiener Philharmoniker
  • Carlo Maria Giulini
  • Deutsche Grammophon, 449 305-2
✿"o belo": (ed. Nowak: Interpretação majestosa e sonoridade quente, com destaque
                para a espiritualidade solene dos dois primeiros andamentos. As cordas
                escaldam de tão sedosas. Há momentos à Giulini que nos fazem elevar. A
                referência de muitos que fica bem em qualquer colecção.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]






  • City of Birmingham Symphony Orchestra
  • Simon Rattle
  • EMI, CDC 5 56425 2
✿"o belo": (ed. Nowak: Interpretação dinâmica do mestre Rattle onde se destaca a
                sonoridade exuberante da orquestra britânica. Uma proposta a descobrir.)
                [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]







   
✰ Outras sugestões:
  • Eliahu Inbal/Radio-Sinfonie-Orchester Frankfurt/Teldec, 2292-43147-2 (versão original de 1881-1883: A visão de um especialista em Bruckner.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube]




  • Philippe Herreweghe/Orchestre des Champs-Elysées/Harmonia Mundi, HMC 901857 (ed. Nowak: Uma interpretação por orquestra e instrumentos de época.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube] 




  • Hans Rosbaud/Southwest German Radio Symphony Orchestra Baden-Baden/Maps, 221922-205 (versão original de 1881-1883: O registo histórico de Hans Rosbaud gravado nos anos 50.), [I] [youtube], [II] [youtube], [III] [youtube], [IV] [youtube] 






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Anton Bruckner [Viena, 1885]




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"7A! Uiiiiiiiii que bom!" [Coimbra, 1998]


 

Porta do nº 7A do Bairro Sousa Pinto
(junto às Escadas Monumentais) [Coimbra, Abril/2022]






Pátio do 7A, c/ entrada p/ R. Castro Matoso
(junto às Escadas Monumentais) [Coimbra, Abril/2022]



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domingo, 17 de abril de 2022


68. Rutter: Requiem |


Um Requiem pelo Commander of the British Empire Rutter.
Uma Música para o Conforto Benéfico do Espírito de John.






Para o Herlânder.
Do padrinho.

(Um Requiem faz sentido neste dia de Páscoa.
Não é Mozart (o teu preferido), mas a beleza desta música surpreende qualquer um.
Vá lá, surpreende-te.)






Quando penso nas palavras Requiem e finais do séc. XX, o nome que imediatamente me ocorre é o do inglês John Rutter (Londres, 1945), de alguém que para além de compositor agraciado pela coroa britânica com um CBE pelos serviços relevantes à música, em 2007, apresentaria também uma vasta experiência na direcção de agrupamentos corais de elite, como seriam exemplos o Clare College Cambridge, do qual fizera parte como coralista enquanto jovem estudante, ou o Cambridge Singers, fundado pelo próprio em 1981.
Rutter viria a escrever o seu Requiem em 1985, um trabalho que não lhe teria sido encomendado como era habitual acontecer naquela época. Na realidade, a composição deste Requiem seria a melhor forma que John encontrara para lidar com o luto pelo seu pai (falecido no ano anterior), dedicando-lhe a obra com as palavras "in memoriam L.F.R.", ao mesmo tempo que também o ajudaria a suportar os efeitos da encefalomielite miálgica diagnosticada nesse mesmo ano.
Apoiando-se na tradição de mestres como Brahms ou Fauré, Rutter adoptaria por não seguir de forma estrita o conceito da Missa Pro Defunctis estabelecido na liturgia católica, utilizando por sua vez uma selecção pessoal de textos em latim e em língua inglesa, tirados quer da Missa de Requiem (em latim), quer do Livro das Orações Comuns de 1662, e dos Salmos 23 e 130 usados tradicionalmente nas cerimónias fúnebres (em língua inglesa).
Por outro lado, e atendendo ao caracter contemplativo e intimista desta obra em detrimento do sentimento de dor e do dramatismo muitas vezes utilizados neste tipo de música, poderíamos considerar com razoável segurança, que as recordações da participação do jovem coralista da Highgate School na primeira gravação do grandioso War Requiem, dirigido por Benjamin Britten em 1963, teriam tido menor impacto no resultado final do seu Requiem do que as que o maduro compositor tivera em 1984 durante a gravação (aclamada!) do lírico Requiem de Gabriel Fauré para a sua própria etiqueta discográfica, a Collegium Records. Com efeito, em termos de escala e sensibilidade, é bem provável que esta peça deva mais ao francês Fauré do que ao seu conterrâneo Britten, em mais um bom exempo do benefício artístico que a globalização das ideias e dos sentimentos aporta.
Segundo o compositor, as sete partes deste Requiem formariam um arco de meditação sobre temas musicais inspirados na vida e na morte. A primeira [I] e a última [VII] representariam orações em nome de toda a humanidade, a segunda [II] e a sexta [VI] os salmos, a terceira [III] e a quinta [V] as orações pessoais do autor a Cristo e a quarta [IV] a afirmação da gloria divina, como aliás não poderia deixar de ser tratando-se do movimento central e pedra basilar que suportaria toda a arcada sonora, sendo por isso glorificada com os habituais "sinos" das celebrações dominicais em dias de festa.
Rutter escreveria ainda dois tipos de acompanhamento possíveis de utilizar dependendo das circunstâncias artísticas (vulgo budget), um para orquestra de câmara e outro para órgão e seis instrumentos (flauta, oboé, tímpanos, glockenspiel, harpa e violoncelo), sendo que a obra seria estreada pelo próprio compositor a 13 de Outubro de 1985, na Igreja Metodista Norte-americana de Lover's Lane, em Dallas, no Texas, suspeitando-se que aquele local sagrado nunca mais seria o mesmo a partir desse dia, assim como inúmeros outros locais de semelhante calibre espalhados pelas vastas terras do Tio Sam, tal seria a contaminação melódica proveniente de Lover's Lane. 
A consolação que esta música proporciona é evidente, o seu consumo em épocas de maior angústia é aconselhável, e, por isso, o sucesso deste Requiem só poderia ser o que na realidade é: enorme.
Felizmente que assim é, pela qualidade do que se escuta... ou o seu contrário, pelos motivos que muitas vezes existem para o necessitarmos de ouvir.

Nuno Oliveira




"Requiem"


✨ Extractos que proponho para audição:
  • Caroline Ashton, Donna Deam
  • The City of London Sinfonia, The Cambridge Singers
  • John Rutter
  • Collegium, COLCD 103
✿"o belo": toda a obra (O registo icónico realizado em 1986 por John Rutter que
                nos transmite algo de mágico difícil de explicar... é como se de repente
                estivéssemos de volta à capela da nossa terra numa manhã solarenga de
                Domingo de Páscoa, olhamos para o lado e vemos os nossos que já partiram
                a cantar connosco. Arrepiante e imperdível!), com alguns destaques,
                identificados a seguir;
                I - Requiem aeternam: tutti, aos 0:00-1:18 (Magia...), 1:55-2:55 e 3:51-4:45
                ("o belo" dom da melodia na oração suprema da humanidade.) [youtube]
                II - Out of the deep: violoncelo (Céus escuros e nuvens baixas.) [youtube]
                III - Pie Jesu: soprano e tutti (A familiaridade d"o belo" som...)  [youtube]
                IV - Sanctus: tutti (Santificação da alegria com sinos de festa!) [youtube]
                V - Agnus Dei: tutti (Procissão de mágoa e esperança.) [youtube]
                VI - The Lord is my shepherd: oboé e tutti (Céu limpo e nuvens altas visto
                da estante d"o belo" oboé!) [youtube]
                VII - Lux aeterna: tutti (O suave repicar da "harpa" ao longe, na torre da igreja...);
                oboé e tutti, aos 5:40-6:30 (...e "o belo" final da festa da Ressurreição!) [youtube]




 
  • Elin Manahan Thomas
  • Members of The City of London Sinfonia, Choir of Clare College Cambridge
  • Timothy Brown
  • Naxos, 8.557130
✿"o belo": (A versão para órgão e seis instrumentos de referência. Vozes de excelência
                e interpretação simplesmente sublime. Uma proposta de eleição a não perder.)
                I [youtube], II [youtube], III [youtube], IV [youtube], V [youtube], VI [youtube],
                VII [youtube]




 
  • Edward Saklatvala, Thomas Harries
  • The City of London Sinfonia, Choir of King's College Cambridge
  • Stephen Cleobury
  • EMI, CDC 5 56605 2
✿"o belo": (As vozes maravilhosas dos rapazes do King's College, som exuberante e
                "o belo" Pie Jesu, oferecido por um menino, a tocar o divino. Aquisição 
                obrigatória.)
                I [youtube], II [youtube], III [youtube], IV [youtube], V [youtube], VI [youtube],
                VII [youtube]




 
  • Rosa Mannion
  • Bournemouth Sinfonietta, Polyphony
  • Stephen Layton
  • Hyperion, CDA20947
✿"o belo": (Sonoridade radiante e instrumentistas solistas magníficos numa gravação
                repleta de graciosidade e profundidade. "o belo" Pie Jesu é interpretado de
                forma sublime. A não perder também.)
                I-VII [iTunes]







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John Rutter, CBE [2007]




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"Requiem aeternam ou princípio (do fim...)" [Latada, Coimbra, 1996]





"Lux aeterna ou fim (...nalmente!)" [Rasganço, Coimbra, 2002]



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